quarta-feira, 11 de março de 2009

ele.

Sinto falta todas as vezes em que me lembro.
Me lembro pelas manhãs em que o sol reflete nostalgia.
Me faz pensar em voce ao entardecer. Lembrando das noites em que vivemos.
Dificil é não te tirar da cabeça. Pra todos os cantos que olho existe um pedaço de voce.
Que me faz recordar e me faz uma falta absurda.
Saudade daquilo que fomos e do que não tivemos tempo pra ser.
Saudade dos beijos nunca roubados, das equidises transpassadas.
Do afeto, dos olhos.
Das nuvens da qual costumávamos cair quando a música acabava.
Dos desenhos do corpo nunca reformulados e do perfume que jamais esqueci.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Impressões

Alguns segundos e atravesso a rua. Os carros param. A gente passa. Do outro lado. A outra calçada. Fumaça e frio do lado de cá. Laços avermelhados e sorrisos brandos. Um ou outro olhar atravessa. Mas se interrompem. Do lado de cá as ondas ainda não vistas. Do lado de lá o sol.
Pela manhã os raios que atravessam a cortina. A luz do sol deixa um pouco amarelada as ruas. E do lado de cá não há estrelas. Nem mesmo a lua. Há vozes e não posso me concentrar. Equilíbrio e te encontro ao anoitecer. Vontade de ligar. Mas não. Preciso sentir mais frio.
Há um espaço aberto na cortina branca. Os carros emparelhados e o silêncio constante. O sotaque arrastado que me faz parecer pouco mais longe daqui. Longe de mim mesmo. Inconstância e o mundo girando.
Eles caminham pelas ruas. Círculos. As bolhas brancas e pretas me fazem flutuar. Fumaça por toda a escada. E lá mesmo nós paramos. Todos. Rimos e cantamos de coisas que não faziam a menor graça. Não fazia tampouco o menor sentido. Mas ali estávamos e felizes. Pelo menos é o que parecia ser. E era. Bem na verdade era. A cada canto da sala um novo som. Nova sintonia num ré bem maior que o de antes.
Os pés doem sempre. Os olhos depois se fecham. Poderia a porta se fechar a cada banho. Água quente e perigo dormir com o gás ligado.
Adaptação é a palavra. Não há janelas ao naufrágio. Consigo ver pelo espelho escuro a sombra maior da satisfação. Falta o ar na esquina. Toma o café e passa. Pega outro e te dá sono. De novo cuido de tudo sozinho. Deixo de lado os anseios. Eles é que não me esquecem. Roupas pesadas de frio. Um cobertor novo à vista. De várias cores emparelhadas. Vou sorrir mesmo que não seja assim. O medo se torna maior quando se faz frio.
Metade daquelas pessoas se vão. A festa acabou. O bolo ainda não foi cortado. Show, mas as atrações principais foram canceladas. Vamos até a outra esquina gritar mais alegorias. Põe aqui a moeda e pode passar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Matei-me.

Apaguei as luzes acreditando não mais sentir medo. Passaram mais de quatro anos e as coisas ainda vivas. Saudade, falta e renúncia.
Botei aquela bolsa de hoje em um dos ombros e segui. Nova geração. Aquilo tudo novo. E de novo. A mesma história. Pontos de vista que me agridem. Outros que me fazem falta absurda.
Falávamos da nossa vida como se fosse estória, onde sempre há final feliz. Mas e aí? Que fazemos com as partes. As páginas que ainda não foram lidas esperando que a luz se acendesse? Ou ainda as arrancadas, para que nunca fossem descobertas.
Que boa história não tem um pouco de sangue escorrendo pelo queixo. Mas assim, na vida real a coisa é bem mais pesada. Tudo bem regado ao desespero. Medo e morte. Prefiro mesmo é na ficção.
Ele, ela e eu morremos ao entardecer. As estrelas ainda não estavam ali presentes para a cerimônia. Não me lembro nem a roupa que ele usava. Nem a dela. Era aquilo que eu mais queria. O momento. A vida. Os sonhos. Tudo ali. Mas algo me dizia que não terminaria bem de nenhuma forma. E de todos os meios eu me via só.
Como colocar na prateleira de volta ao invés dos filmes, as histórias que jamais vivemos. Os sonhos e o desejo. Quanto amor havia.
Atravessava aquela rua com mais voracidade que a vez anterior. Dessa vez havia pouco mais de sangue nos olhos. Ela sentia medo. Eu, calafrios. Ele, desespero.
Era como olhar para o espelho e decidir que a partir daquele momento seria outro e que ainda tinha um caráter a ser montado. Sem fantasias. Era a vida se fazendo presente, mostrando a cara e não pude escapar.
O portão era baixo, segurei com toda a força que pude guardar durante todo aquele tempo, dos dois lados, tudo o que amava. Tive que escolher quem morreria. Como nos balões pesados em que se tem que jogar algo fora. Ali era a vida. A única que tinha. E não tive escolhas.
Empurrei-o, depois de me morrer.
Não tive, durante dias coragem de olhar no espelho. Talvez o medo de que meus olhos me acusassem, medo de que o espelho quebrasse com tanta dor. Afinal não mais veria nada. Era como saber que perderia a visão depois de um tempo em que fora verdadeiramente feliz. Não mais veria o por do sol esperando que as estrelas ressuscitassem daquele céu azul escuro.
Não tive ao menos tempo de dizer adeus. Era como se nada tivesse acontecido. Sonho bom que se tornava pesadelo. Muita maquiagem, dor desespero. Tudo. O portão baixo. Queria não existir para não vê-lo partir.
Ela. A outra versão dos fatos. Jamais entenderia o que se passava ali, dentro de mim. A parte mais fraca que precisava do meu apoio. A dor que se escancarava. As orações que já haviam virado reza. Quanto amor destruído. Quantas noites felizes, ou aparentemente felizes. Tínhamos um do outro, os sorrisos. Coisas de criança. Criança grande que já sabia bem o sentido das palavras dor. Amor. Traição. Ódio. Desejo. Loucura. Desespero.
Fecho os olhos e lembro de como éramos felizes. Toda dor fora escondida. Existe uma barreira e jamais hei de quebrá-la.
Não sentirei saudade do que vivemos. Mas daria tudo para que tivesse sido diferente e ele a tivesse feito feliz.
Eu estaria por aí. Talvez encontrasse o porto seguro se as cortinas não se decidissem por abrir, findando o mais inocente dos espetáculos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

carnaval

Perdi a graça, as boas maneiras e a razão de viver.
Perdi os sentidos, os lábios, e que se dane você.
Entrei devagar pela porta estreita que me engolia,
Supri-me de longas histórias e das fantasias de nunca ousei vestir.
Perdi a noção do tempo, esqueci-me de anotar a placa do carro que me trouxe até aqui.
Perdi o medo. Entrei no avião. Fiz escalas. Usei as mãos. Mas não. Não deixei de sentir.
Grudei nos teus cabelos. Fiz-te medo. Do medo que jamais ousei gritar.
Fiz poesia, derramei nostalgia, corte singular no peito com as tuas mãos.
Puxei os trilhos. Fiz barulho. Gritei o sol que interrompia o sorriso calado pela cortina quebrada.
Fiz-me de honesto, mentindo desgraça, forçando trapaças, bebi cachaça e ainda safei-me do crime que jamais cometi.
Beijei-te o rosto. A face. Escroto idiota. Sangrei os lábios que nunca vivi.
Cansei-me das luvas, cachecóis prateados que nunca tive e ainda do lenço rosado que encontrei numa esquina qualquer.
Fiz-me de pomadas. Ò silencio. Das noites frias ardendo o suor que nunca escorri.
Cansei-me da face. Da desgraça. Arranquei-me os cabelos e a barba atravessando a rua fingindo ser feliz.
Fiz do teu, o meu. Doei-me mais do que devia. Gerei filhos com trigo, mastiguei a felicidade e depois cuspi.
Cansei-me de ser rude. De ser lindo. De ser aquilo que nunca fui.
Deixei de lado os livros, andarei sobre os trilhos enquanto finjo dormir.
Vou deitar sobre o meu corpo. Arrancar teus suspiros malditos. Virar para o lado e acender um cigarro. Vou mostrar-lhe que nunca estive aqui.
As mãos aquecidas. Cansadas. A caneta falhando com o suor que desgraça. Muito ainda pra sentir.
Sabe lá por quantos montes, delírios ou fontes. Deixei-o pra trás, atravessei bem em frente a sua porta e sai.
Foi assim, meio que de lado, nem mesmo fui notado, afinal nem mesmo estive aqui.
Cansei-me de ser quem eu sou. Agora vou ser poeta e confortar-me da dor.
Aprendi a andar de trem, metrô, agora sou gente grande, estou indo ali.
Ainda não sei de volto, quem dirá quando volto.
Se por amor. Senta no banco da praça. Espera. Quebre algumas das muitas taças. Talvez eu dobre a esquina e talvez ainda, eu passe por aqui.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

segundos.

O segundo também passou. O barulho dos carros. Mas ninguém ali. Vazio também do lado de cá. Divididos por um oceano. Quem diria encontrar a tão sonhada paz? O telefone toca. De novo aquela vontade de escutar voz alguma. Ou a angustia de ter que explicar o que há de tão explicito. Essa é minha vida. Quem diria fazer parte de todo o contexto. Por onde andaria meu amuleto da sorte? Quero sim, sua companhia. Mas fique em silêncio porque quero despir-me de palavras que alimentem a minha existência. A lua. Alimento-me da noite. De sangue. Prefiro assim. Ao ranger dos dentes que se aproximam. Que os fleches ceguem os meus. Quero sentir sem ver. Olhos abertos. De longe quero ouvir os gritos soados ao meu ouvido. Tamanha dificuldade de me encontrar. Tão distante. Talvez não estivesse ali também. Que tal um filme e pipoca. Na cadeira apertada. O vazio. Vou tomar banho com os óleos ingleses. De tão pequenos os passos, o vejo andando na contramão de meus sonhos. Quanta simplicidade desmedida. Basta sentar ao lado. Passar a mão pela cabeça algumas poucas vezes e pegaria no sono. Embarcaria num mar envolto de ventos que me trariam de volta a vontade de sonhar.
Sentei e calei-me. Livro. Conversa. Um ou outro lendo papeis que se encontrava naquele banco. Estava invisível, ainda sim incomodava. Não era aquele o meu lugar. Talvez escorregasse pouco mais no banco o bastante pra me sentir cansado. Se fechasse os olhos. Dormiria para longe. Não chegaria de pronto. Mas pra onde mesmo é que preciso ir? Todas as poltronas estão ocupadas. Tenho medo e frio Ninguém ao lado. Respiro umas três vezes, sinto a dor da ferida aberta. “Queria manter cada corte em carne viva”.
Enquanto caía no canto do banheiro. Pulso esquerdo cortado. Sangue escorria pelo braço estendido enquanto brilhava e sorria. As manchas de dor espalhadas pelo corpo. O sangue contornava a cerâmica branca.
Chovia dentro. E fora, o dia engolia as crenças. A água não levava embora o desespero.
Sentia sede. Mas não podia se levantar. Tarde demais. As forças já haviam sido entregues há muito tempo e a melhor obra de arte se perderia. As melhores fotos. A melhor pose. Tudo enquadrado em cinza.
Ao cair da noite que ele não mais veria. Decidiu que ficaria ali. Jogado. Talvez por longas horas até que fosse encontrado. Estava ali. Da forma como sempre quis. Derramava ali tudo o que o afligia e o beijo nunca roubado. O dinheiro que se poupou de gastar. E agora. Nada mais daquelas economias baratas faziam sentido. Estava preso dentro das angústias. Quando olhava para o sangue que o tirava de cena.

Passageiro.

Perdi o fôlego. Por umas duas vezes. Perdi o fôlego. Noite ainda. Quantas luzes acesas. Nenhuma invadia o quarto opaco. E seus olhos não mais brilhariam. Sorte. Talvez. Mas as bocas se encontravam distantes. Tempo. E descobrimos que não faz mais o menor sentido esse encontro. Corpos ardentes. Que um dia se amaram. Agora gelados. Fúnebres. A Janela. Em particular, sem cortina. Apenas fotos pregadas na parede. E a distancia. Da alma. Da mente e do coração. As partidas. Quantas vezes. Por quantos. Vou fugir pra ver as estrelas, sozinho. Queria ter visto a lua da janela do seu quarto. Já observava pela janela sem lua quando o elevador desceu. Sétimo andar. O mesmo perfume. A mesma voz. Talvez um corte novo de cabelo. De ambos a mudança interna. A equidise. Isso reflete nos olhos. Você está bem? E você está bem? Não precisamos dessas respostas. Está tudo embutido ali. Na fotografia sem ângulo. Olhos caídos. Uma vez ou outra. Sem mais vezes. Não existe mais o gelinho na barriga. Três ou quatro. Nem faz mais tanta diferença. Melhor lembrar o que passou. Esquecer a noite de ontem. A de hoje. Esperar um amanhã. Uma nova janela da qual eu possa ver a lua. Na esquina, mais distante ainda eles estavam. Sem braços dados. Muito menos abraços apertados. Não fazia mais sentido. Não faz mais. Sentidos. Perdi o fôlego. Perdi o brilho. Cabelos Molhados. Rosto suado. Passou. Eu fiquei.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ele.

Deixar de lado o bom gosto pra sentir. Dos sentimentos. Fazer essência. Permanecer. Crescer dentro daquilo que pode ainda se tornar maduro pra sonhar. E sonhar. Juntos. Assim. A gente divide o travesseiro e também os sonhos. Deixamos pra lá os anjos. Eles gritam demais a noite. E brincando. Me fazem perder o sono.

sábado, 17 de janeiro de 2009

comentário.

Típico mesmo de ser humano. Aquele que sempre procura a valvula de escape no sorriso alheio. Maldito seja todas as vezes que desequilibrado foi posto a prova. E caiu. Nada de laços bem dados. Nenhuma sentença de morte que nada. É a vida cobrando o preço. Pague a vista ou vai se ferrar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Forever.

Soava plenitude. Era música calma. Pra sempre é o que se lia nos olhos dele. Sonhos.
A luz do quarto acesa e os momentos em que passaram juntos. Assim pensando que o relógio pararia na madrugada em que faziam amor. Não se trata de erotismo. Pele. Sabe bem do que estou dizendo. Mas pensa no ser mais despudorado. Se os neologismos cantassem fariam serenata a cada amanhecer. Ou melhor. Não amanheceria e os corpos poderiam se calar pouco mais juntos.
Vários os chinelos espalhados pelo quarto, que na manhã seguinte restariam lembranças. Junto ao suor que sobrava na almofadas de retalhos. Assim encontraria ao voltar do pior pesadelo. A ausência.
Quantos os panos que o cobriam. Tais as vezes que passeava por sentir o cheiro dos olhos. Que aroma de saudade. O sorriso doce me levara daqui. Quanto passa depressa ele dizia. Talvez derramasse algumas lágrimas no banho. Ou já com os sentimentos maduros. Deixastes cair apenas água pra lavar seu pudor e a angústia desses corpos que estariam separados.
Desejo. As suas mãos quando correm meu corpo me faz lembrar entrega. Ouço palmas ao longe. Mas não existe platéia. Eles estavam sozinhos num mar de gente que os deixava parecer estar só. Solidão. E juntos. Eles choravam. Enquanto caminhavam e sentiam.
As palmas agora se faziam bem mais presentes. Invadia como a luz aquele quarto entraria sem mais leveza em seus ouvidos e o fazia aclamar. É o fim do espetáculo. Guarde as plumas que serviam de elegância. Agora é voltar a cantar no chuveiro e ir à busca daquilo que lhe pertence. E quando nada encontrares. Olhe para as flores do caminho. Barulho dos passarinhos. Encontre no céu o resto do meu olhar. Busque na sua alma e irá me encontrar. Por essência. Cheiro. Gosto. Vem me abraça forte. Tenha calma ao me beijar. Quero a voracidade do sentir. Que seja pleno. Intenso. Profundo. Por seus e meus. Por nós.
Apertarei o mais forte no piano que escutarás ao longe. Vem, viaja no meu corpo. Beija-me forte devagar. Quando os sinos dobrarem a esquina trará ao longe o grito dos pássaros. Aqueles que me fizeram cair aos tantos por você. Grita em meu ouvido. Bem baixinho devagar. Quero mesmo te matar por todas as noites. E pela manhã te fazer renovar e abrir aquele sorriso como o de novela. Que seja por essa por todas.
As manhãs. Como era pra ser puro. Quanto crime de gaveta comete com a escova de dente. Quanto amor se deixa escorrer pelo canto dormente da boca que se reprime. Fuma mais um. Seja feliz. Forever. Junte sete palavras doces e mergulhe nelas. Afunda-te em meu silencio e me beije. Por toda a face. Por toda minha existência. Por mim. Você. Por nós. Vem. Provoca-me. Quero mesmo é que me deixe nu de palavras ao te encontrar. Que tal brincarmos de sermos felizes JUNTOS. Junte tudo. Agora mergulhe tudo. Controle essas lágrimas. Realmente. Não precisamos mais disso. Olhe-me nos olhos. Compreenda quão grande ainda existe da sua pele em meu corpo. Vem faz amor comigo. Trás poesia pelo meu corpo. Mate-me três das sete vidas que me restam e que dediquei a você.
São desejos e lembranças que me fazem sorrir. Dança pra mim. Entorta a boca do que jeito que só você sabe fazer.
E faz poema doce. Desenha tua face em meu rosto. Quero me sentir embriagado de você já que hei de deixar você partir. Voe. Semeie o amor que vivemos. Vai avistar ao longe e me encontrar nas melodias tristes. Estarei em cada lágrima tua que escolher pela tua face. E quando sorrir vai morder teus lábios. Vai acordar mais cedo pra me viver. Pra me sentir. Faz amor comigo. Mas não me mate. Não me mate mesmo. Não permito isso mais. Agora é vida. Vai. Como é bom ouvir a tua voz. Vamos voar juntos. Ventou. E levei embora tua vida e teus sonhos. Tornei-me perverso e não sou mais capaz de te fazer feliz. Sou os sonhos que me foram roubados na infância. Faço parte daquela calça jeans surrada que já não mais me serve. A intolerância dos meus desejos. Hei de ser a fonte daquilo que me prende junto ao sol. Hei de ser o próprio sol e as lembranças. Um dia já embriagado lembrarei de como as palavras poderiam ser mais doces. Quando tudo ao menos deixou de ser visto.
Interrompido estarei ao primeiro sinal de que ainda existe a vida. Sangrar-te-ei até a morte. Com o teu sangue pintarei belas telas vermelhas manchadas com aquilo que me pertenceu. Serei eu ali. Entre meio ao coágulo mais brando e as poesias baratas.
Acorda mais leve e brando quando fores me desejar bom dia. Mata esse seu passado. Engole a seco seus ínfimos pecados e depois me corte. Sangue paixão desejo tudo ali olhando e sorrindo. Sombra de humanidade que ainda resta no meu peito.
Cala-me com teu beijo breve e depois me engole.

Lá fora.

Os dois permaneciam calados. Ela se enforcando cada vez mais em suas palavras. Veneno. Escorria pelo canto da boca já encharcada de lágrimas. Mentira e tragédia.
Ritual de oração já não bastaria. Boa comédia romântica, se não fosse pela falta de ar que provocaria a partir daquele momento. Saiu ininterruptamente portão a fora. Como se as paredes estivessem contaminadas pelo ódio. Atravessaria a cortina sabendo que estaria errada. Nada mais a fazer. As cordas atravessariam suas veias sugando seu ar para a atmosfera enquanto respirava, por conseguinte enquanto a fumaça entrevava um branco sutil de fundo amarelado em seus pulmões. Ela pensou por instantes na morte. Ele. Que tudo acabasse ali. Afinal, só buscavam daquela fonte pouco mais de paz.
Assim olhos nos olhos eles se estranhavam, naquela angústia causada por ela. As flores amareladas. Agora sangue que se espalha por todo o colchão atravessando o quarto numa sutileza de se estranhar. Tanta purificação. Quanto amor, atrelado ao ódio. Os corpos se amam e se odeiam quando se olham. Depois choram. As lágrimas inundam o corpo um do outro enquanto a noite caia lá fora...
Ouviram palavras que não de dor. Sonhava cada dia mais com a partida e o livramento. Cantaram e foram felizes. Por Deus. Pela paz. Pelo tempo. Pela alma. E seguiram felizes.
A vida de um dos garotos fora interrompida logo no primeiro sinal de violência que a vida lhe pregava. Ainda mal conseguia separar as pálpebras daquela situação toda. Houve gritos. Muitos deles. Desespero. E ele nada podia fazer. Saia correndo atrás parava tudo aquilo e morrera pela primeira vez deixando de acreditar que o ser humano podia ter amor ao próximo. Ninguém precisava dizer nada. A violência ocorrera ao entardecer. Fora tomado com força e o sangue lhe escorria sobre as pernas. Aquela voz ofegante em seu pescoço refletia angustia e atordoamento.
Talvez tivesse sido melhor que os fios lhe atravessassem o pescoço e a luz se apagasse naquela que seria sua segunda morte. Onde não acreditava em poder ter escolhas. Aquilo seria lembrado pra sempre.
Tempos se passaram e o espelho revelou sua grande face. E sua voz lhe vazia voltar à vida. As mãos que o tocaram era de leveza. Calmaria. Havia amor jogado á regra pra suprir tamanho desprezo que a vida lhe dava.
Como atravessar mais uma esquina para o próximo surto. Ninguém entende. Ninguém. A dor o tornara cruel e ele já não mais sabia separar o bom do ruim. Para ele. No momento que em que esteja cheio da sua própria razão.
Ao menos temia que se machucasse mais uma vez. Não adiantava. Ele teria que passar por mais isso e perder. Sempre as perdas. A voz. A visão. A fala. Levaram também seu orgulho vital.
Ele não mais sonha. Pensa que a coisa não tem mais solução. Crime perfeito. Perfume adorável. Tempo de chuva que inspirava o sepultamento da saudade. E nada disso acontecia. Perdera o equilíbrio em uma esquina qualquer. Mas dessa vez sua metade (que também já estava por partir) o segurava as mãos antes mesmo que as luzes se apagassem. Não havia mais o que fazer. Prendera o dedo na porta. A unha quebrada doía menos do que quando ouvia aquela voz que confortava ao longe...

Ali parado.

Ele estava ali. Parado. Apenas isso. Não dava ao menos tempo para calcular o quanto ele estava ali. Parado. Quando aquela coisa rotineira de dar e receber abraços se fazia presente. Presente. Ele não ganhou muito. Entre meio um sorriso disfarçado havia muita falta. Um irmão. Outro que não mais estaria ali. E fizera falta. Entre muitos que não estariam por vir.
O relógio marcaria mudanças. Se as coisas não permanecessem estáticas a cada instante. Desespero. Tudo girando. Pessoas rindo de piadas qualquer. O mundo. Dele. Trazendo de volta coisas que viveu. As viagens que antes fazia. Dos sorrisos de gratidão que colhia. Muda tudo. A roupa. O dia. A noite. Mas quantas noites ele terá de viver pensando no que poderia ser diferente se as coisas permanecem em ordem. Uma ordem que não existe. Nunca. É. Não mesmo. Reminiscências...
Partiremos das lembranças pra formar o que somos. Aquelas coisas que saem do controle. Um ou outro não que disse e que não é acolhido. Fora deixado de lado. Etapa concluída. Filhos grandes. E a felicidade. Quando ela há de viver ao meu lado. Ser a grande dama de companhia. A que completa. A metade que me levaram embora naquela cama de hospital. Das vezes em que me esperava já com os cabelos encaracolados e de batom pronto.
Perdera o sono na primeira noite em que o cadeado fora travado com alguém do lado de fora. As asas. Responsabilidades e amor. Quanto amor.
Ele não aprendera a demonstrar a sabedoria de mais de cinqüenta anos. Passou pelo tempo e deixou de viver. Agora vive por contar às pedras que aparecem no travesseiro. Já que os caminhos fecharam as portas numa sexta-feira qualquer. Ele perdeu o sono.
Rola de um lado pro outro da cama criando a sensação de um frio inexistente. Um frio da alma. Ausência. Quanta coisa errada. Ele pensa que expõe tudo o que sente. Mas fica sufocado na garganta e o impede de sorrir. Que esse super-homem deve estar fazendo agora. Já passam das duas e as luzes permanecem acesas. Ele já não pode mais sonhar acordado. Pensa na vida que gostaria de ter tido. As pálpebras se forçam a encontrar a outra face. Mas já é tarde demais. A luz que atravessa a janela sem cortina já invade sua retina. Amanheceu e ele não pode nem ao menos pregar os olhos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

moon

“E que o meu agora é daqui pra frente”
“Todos os caminhos começam com os pés no chão.”
“Hoje quando o sol saiu, eu resolvi voltar”.

Paro pra pensar em tudo o que construí. Se existe mesmo uma nova luz no fim do túnel. Acredito que já faz parte dela. E parte de mim agora. Assim. Corpo com corpo. “A proposta de ver estrelas”. Vermos. Assim. E seria. Foi. Vai ser sempre. Essa essência que me faz persistir em viver. Viver você.
O brilho nos teus olhos ao acordar. Quando não. Fechados. Aprendendo pouco mais da sina. Estou falando de amor. Estou falando da gente. E não imagina quanto é denso tudo isso. Mas é necessário. A partida. Quem sabe na próxima esquina encontraremos um próximo sorriso. Sabíamos que ia acabar. Mas porque não se deixar levar. E porque não, se apaixonar?
Vou me lembrar a cada cigarro que se emparelhar. Talvez o ultimo. E me fez pensar na proposta de ser (sermos) felizes.
Assim. Tão livre de pudores. Tão cheio de alma. A luz que faz brilhar. Caminha. Não pára.
E contigo aprendi a ter mais calma. Deve ser o dom... E você deve estar rindo agora. Aquele riso sem muita graça porque as lágrimas já lhe tomariam a face. Eu não. Sou forte. Mas já me faz tanta falta. Quem é que vai me virar pro outro lado da cama. Silenciar meu desespero. São tantos os desencontros que às vezes queria poder não acordar. Sabe. Só pra não pensar em debruçar meu braço para o lado e encontrar o vazio. Estou falando dessa tal de cumplicidade. Estou falando da gente. “E acredito em sonhos, não no tempo”.
E assim fazíamos promessas que não poderíamos cumprir. Pensaríamos assim, que se fechassem os olhos. Em coisas alegres e tristes. Quando deixaríamos de pensar na gente. Aquele pedaço que foi. E que não volta. Assim. Sem os braços dados não mais passaria naquela rua. Por que não mais faria tamanho sentido. Os caminhos. As voltas. O silencio. As conversas jogadas fora. Os beijos que deveriam ser roubados. O silencio. Mais uma vez que deveria ser respeitado. Assim faria parte dessa essência. Um do outro.
Vai. Quando sentir saudades. Pensa nos momentos em que rimos juntos. Pensa nas coisas boas que vivemos. Acende mais um cigarro. Entre um trago e outro saiba que estarei pensando em você.

domingo, 30 de novembro de 2008

despedida.

“São só palavras texto, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto, um improviso insensato”

Só sei que foi assim.
E de repente ele se via só. Sem luz. Sem ópio. Olhando pro lado, avistava uma lata de cerveja. Não estava vazia. Estava quente. Mas nem tanto quanto o corpo que incendiava a alma. “Quero mais, quero a paz, que me prometeu”.
Ele já não mais se via só. Mas também não existia. O outro o havia tirado do campo de algodão. É. Mesmo. E onde o encontraria desta vez?
Perdido no desconexo de um texto. O Não saber do que vive. Angústia. Tão grande. E tão pequeno aos olhos do outro. Faz mesmo. Tamanho sentido. E onde. Olha só. Todos estavam. Agora. Ninguém. Saudade. Isso já não interessa mais. Que o ciclo recomece.
Recolhe esses copos aí do chão. Leva as latas vazias de cerveja. Quente. Para dentro. As cinzas de cigarro continuam ali. Aqui. Por toda a parte. E contam parte dessa história. De começo. Meio. Fim.
Mais fáceis seriam os contos de fada se começassem do fim. Ao final seria o primeiro encontro dos olhos. O primeiro telefonema. A primeira discussão. Mas não. A coisa é humana.
“É dor,se há,tentava, já não tento”.
E foi dessa forma que o sol se escondeu atrás das nuvens de fumaça. E ao cair da noite. Que chova. “Pra lavar os pecados”. Diria ele.
Na noite de ontem o medo o fazia companhia. O vento não se vazia presente. Sufocante. Eu diria. Ele também. A falta. De você. Do ar. De ar. Dos sentidos.
Pula a linha. Sacode a poeira. É tão especial quanto antes. Existe ainda o campo de algodão. Mas não. Prefira as roseiras. Os espinhos são mais brandos. E não há tamanha necessidade de se cortar sendo dessa forma. Ele se confunde. E confundem-se. Olho pro céu azul. Rastros brancos. Ainda há esperança? Mas e a chama que envolveu o campo. Algodão. Ele o via queimando. Sentia. Mas não podia fechar os olhos. Que não faça mesmo tamanho sentido. Tudo é bem mais complicado. E porque não ser assim.
Conta até três. Depois. Até quatro. São quantos mesmo? Por quantas pontes de madeira terei que passar com essa sede. E a idéia de passarmos dias escrevendo e cantando agonias. Quanta agonia. Deve ser a dama. Nem vou falar dela. Vai que apareça. Meu Deus. Eis me aqui. Sem as deveras forças. Se, brilho na face. Estático de mim mesmo. Sem virar nostalgia.
Queria dessa forma. E assim foi. Desapareci. Por onde. Quando. Sei lá. Tarde demais para reclamar ausência. Pode ser que ainda exista brilho nos olhos. Mas o orgulho jamais permitia que voltassem atrás. Os dois. E as palavras. Essas ditas. Serão lembradas. E a dor que elas trazem. Carrega por toda uma essência. Essência. Que nada. As palavras. Nada de essências. Apenas palavras. Que ferem. Se pudesse as tiraria daqui desse texto. As colocaria em um texto menos denso. Mas densidade. É disso que o público precisa. Mas existe público?
É assim. Não é romance. Nem tragédia. São pontos. Os finais. Vai senhora. Deixa-me em paz. Vai embora daqui. Não é bem vinda. As lágrimas secam. Sem vento. Trajetória. Vida. Fonte. Isso até me lembra infância. Amigos. Os de infância. Os de agora. A saudade permanece nas palavras. Mas e o braço forte. Abraço forte. Não seja tolo.
Fui interrompido pelo gato que mexia no lixo. Olhei para o lado. Puxei o banco. Ela sentou. Toda de preto. Assim de capuz. Queria me levar daqui. Mas não me disse pra onde. Não. Não. E ela me olhava. Acho que você me entende. Quanto arrependimento. Quanta gente. Aonde é que elas estão agora? Por onde mais devo procurar. Lembro que ela me disse para estender as mãos. Não. Não ele não pode. Ela o levaria. Mas e o orgulho. O medo de ferir. Fica por ai. Vou dar uma volta por lá. Quando voltar não esteja mais aqui. Esse não é o seu lugar. Escureceu quando fechei os olhos. Minutos depois.
Ele não pensava em nada. As lágrimas ardiam a face mesmo sem descerem. Que caia água do céu. Que a leve daqui. Não. Fica mais um pouco. Melhor com sua companhia. Vai. Já que esta aqui. Entra aqui. Invade. Escreve por mim. Assim. Sem frescuras. Desse jeito. Assim. Só escreve. Alguém vai te reconhecer. Já que é isso que você quer. Aparecer.
Com mais voracidade tento entender. Mas não. Não mesmo. Nunca vai me entender. “Eu sou a tua morte. Vim conversar contigo. Vim te pedir abrigo. Preciso do teu calor”.
E a luz amarelada e fosca soava mais angústia. Quando ele abriu os olhos. Ela estava ali. O olhava de canto quando decidiu por ficar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

que seja.

É. E de repente o mundo parou. Não tive ao menos tempo de consultar minha agenda de bolso. Revisar amigos e ser feliz.
O campo de algodão fora queimado, não existe mais as cinzas. Ventou. Levou consigo também minha ambição. Meus sonhos e um pedaço de mim.
Agora é deixar ser um pouco. Afinal é crescimento. É fonte. Se vida. Que seja ao seu lado. O tempo todo está aqui. E pensando. E por onde estarei daqui a dois dias.
Por quantas vezes vou procurar o reflexo no espelho pra fugir das lágrimas. Meras. Essas lágrimas. Que seja ao menos suportável o convívio comigo mesmo. Por quantas vezes estarei ao seu lado e ao mesmo tempo distante. Busco-te e ao mesmo tempo te deixo tranqüilo. E me deixe também. Não resisto a sufocações. E amor nenhum resiste a isso. Que seja brando e sereno. E que a companhia seja mesmo a mais inquietante. E que possamos ser felizes a cada buraco que cairmos. São as construções destruídas que me fazem seguir adiante. E vou. Em busca da felicidade.
A cada dia que passo. Há e porque não pensar. Quero a calmaria do final da tarde. O sol já brando. Que não queime os lábios quando me beijar. Serei seu se for para ser. O ao fim serei sempre. Pra me conhecer não basta apenas estar ao lado. Coexiste uma essência que afaga tudo isso. É. Se for para o bem. Que seja.

domingo, 23 de novembro de 2008

relógio.

Só porque anoiteceu acendi as luzes. Tive medo do escuro. Olhei para o relógio. Mas você não estava. Passo por tempo olhando a fresta do portão pra ver se te encontro. Fecho os olhos e imagino como seria se...
E não sei mais respirar sem pensar. A cabeça dói. Maldita madrugada que me tirou o sono. Encontro-me aqui. Estático. Relembrando um pouco das conquistas e que essas sejam bem menores que as tragédias. Por momentos ela me mostrou que as coisas não são tão ruins assim. E que as conquistas foram bem mais intensas que a solidão. O corpo não pára e a cabeça pede arrego. Tanto tempo. E passou. Ventou, também diria ela. Vagueando por entre as flores mais perfumadas pra encontrar essência. Tão procurada essência entre as abelhas. Isso. Ponto. Afinal que seja eterno enquanto dure. O que é sincero talvez valha mais que o tempo. Há esse tempo. Meu maior inimigo. Sem nem pensar nas rugas que terei daqui alguns dias esperando você chegar. Ganhamos da mesma quantia a qual perdemos. Aprendi. Abaixa a cabeça. Disfarça e chora. Próximo verão ele volta. Escreve. Arranca isso da cabeça. Onde estão suas forças? Muda essa música. É consciência, me aconselha a por o novo cd e sair pelado dançando pela casa. Afinal ainda tem pouco mais de meia hora para que o outro verão recomece. Mas não é desse que falo lá em cima que vai voltar. Falo de quanto você põe a mão sobre meu peito pra escutar meu coração bater mais forte. E devagar encosta seus lábios nos meus. Está ventando. Que você acha de chegar mais cedo para voarmos juntos. Lavei minhas asas e as coloquei pra secar no varal. Pode me levar com você? Quero passear por vales encantados e colher flores. Quero sentir-me protegido sem perder o brilho. Quero também aprender a colocar os pés no chão para quando cairmos das nuvens. Quero ser. Amar. Sentir.
Viver. Crer. Ser feliz. Que tal voarmos juntos outra vez?

sábado, 22 de novembro de 2008

próximo passo.

Dessa vez não estávamos ali parados sem nenhum propósito. Haviam coisas a serem resgatadas. A troca de sonhos. Uma conversa ou outra pra ser respeitada e os sentidos voltariam a florescer. E pela segunda vez interrompo as vozes da minha consciência. Atravanco os sentimentos e os jogo de lado. Jogamos. E conseguimos olhar um nos olhos do outro. Aquela tamanha cumplicidade de volta. “O sórdido é só nosso.” Embora ainda acredite que haja dor. Mas não. Que sejam apenas coisas leves. Essa minha metade que me entende. Uso meias palavras e o discurso oferecido sempre me mostram um novo caminho a seguir. Ou o mesmo. De uma forma mais simples. A busca insaciável pela fonte. E a água escorria sobre os pés. Aquela luz amarela não me lembra infância. Tampouco tenho a sensação de já ter vivido aquilo. Novo. Muito sadio e pleno. Decisões. Muitas delas foram tomadas. Seguidas pela razão. E porque coração. Desse já nem me lembro mais que existe. Alguém sempre o rouba da gente. Não é mesmo? E você sabe que é. Adoro essa mistura de ângulos entre vários seguimentos. Uma montanha russa sem os trilhos que intercalam a falta que vai me fazer daqui a alguns dias. O que importa agora. É que olho para o lado e vejo o sorriso. Às vezes a voz sai mais mansa. Ou nem sai. Mas sei que aqui está. Meu. Por mais que existam tantos desencontros. Quero a mala bem grande. Que caiba cada pedacinho que espalhei de mim. E quando suas mãos percorrerem meu corpo. Que sejam tão pesadas quanto leves. Olho para o lado. Sorrio. Afinal tudo não se passava de epifanias. Apesar da realidade crua que me persegue. Fria. Mas são sonhos. E de tão grandes não cabem na palma da mão. É tudo confuso. Estar aqui e lá ao mesmo tempo. E ainda estar com você.
Caminho mais um pouco pela estrada de areia e enxergo o horizonte. Assim tão verde. Os olhos enchem de lágrima. E porque não essência. Alguns grãos de areia secam em meus olhos. Afinal fiz parte de tudo aquilo. E tudo ainda faz parte de mim. Por mais que eu ainda tente fugir. Voltando ao campo de algodão. Subi e desci dele por diversas vezes, procurando aquela florzinha que não sei o nome. Aquela que se sopra e faz um pedido. Ou vários deles. Tudo correu como precisávamos que acontecesse. Mas o encanto quebrou quando escutei o som da taça ao cair pelo chão. Espalhando todo aquele líquido rosado que continha. Manchando o tapete persa que ficava ao lado da cabeceira onde guardava todos os sentidos e emoções. Por hoje, será assim. O amanhã trará uma nova taça. E o que o dia recomece para os primeiros raios de sol iluminar a estrada por onde o arco-íris deve passar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

por voce.

É mesmo. Assim. E vai tornando inevitável que se transforme em saudade. A boa. Vivida e sorrida de canto de boca entre meio aos suspiros de uma eterna espera.
Tão assim, e de repente, e os olhos se encontravam na esquina abaixo de onde tudo depois acontecia. Domingo. Seria como os outros. Se não fosse pela vontade que atraiam aqueles corpos. Falo de química. Não de sexo. Presta bem atenção no que escrevo. Mas no momento o que mais importava era o contato dos lábios que se encharcavam um do outro.
Sem luz e nem pressa. Talvez uma música triste de fundo compondo o ponto final de uma esquete, mergulhando numa nova história com prazo definido para acabar.
Não podiam, mas se entregavam. Não deveriam. Não mesmo. Vê se você me entende. Mas não. A história seguiu o rumo que julgou pertinente e as cortinas se abriram, não houve aplausos. O teatro acabou sem mesmo ter começado. A bailarina chorava com o passo interrompido. Mas não. O que importava eram as lágrimas, que seriam cravadas pela ausência. Depois que aqueles olhos. Que procuraram à essência de si. Encontrou bem mais que um simples olhar. A retina cravou a dor. Mas a renúncia não. Essa nunca vai fazer parte desse enredo. Vamos misturar a poesia e a dor. Sexo com a alegria. Mas não assim nessa seqüência. Primeiro se aprende. Depois joga. Que tal voltarmos àquela esquina tempos depois e recomeçarmos aquilo do zero. Quando o olhar foi interrompido por um sussurro de voz, aliviado buscando encontrar o que ainda não haviam perdido.

Comerciais

Um seguido do outro. Assim. Emparelhados. Como se um tivesse ligação com o outro. E a pausa para o comercial. O tempo entre um trago e um soluço. Faz fumaça e me perco nela.
Viajo pelas ondas que um dia se propagaram no vácuo. Chego à luz ao inverso do brilho. Não sei por onde. Mas é mais ou menos dessa forma quando sinto a tua mão percorrendo minha sombria consciência. Bem levada eu diria. E isso é bom. Faz faltar o ar. Assombra aquilo que trás o prazer. Fecho os olhos e continuo a respirar. O som já não é mais de ausência. E sua mão. Já não preciso nem comentar a falta que me faz enquanto dorme.
Sinto o cheiro dos seus lábios que tocam o meu corpo. Assim tão profundamente. Falo daquilo que me interrompe e me leva a loucura. Por onde percorrer até chegar às estrelas do texto passado. E a pausa para o próximo trago. Sinto agora a respiração chegando mais perto assim. Da forma mais sutil sinto teu suor carregar em minhas costas. Apenas sinto.
Sentir. Sentimentos. Fugimos deles. Mas são tão bons. Tanta loucura. Mas nenhuma insanidade. Sinto o peso das mãos, que agora tocam a minha essência. Quando me permito sonhar para aquecer meus pensamentos. Sou assim, surpreendido por um frio na espinha. Um gelo na barriga. Agora sinto a respiração pouco mais forte. Mais perto. Vem. Olha bem mais de perto. Pra sentir o que eu to sentindo. Assim tão próximo do distante as mãos agora passeiam por onde deveriam estar e permanecem.
Corpo. Mãos. O verde ao lado. Interrompido por mais um trago. Mais uma dose. Dessas bem fortes de endorfina que chegam a aflorar os instintos. E paro para mais um trago.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Estrelas

Foi assim que avistei os cigarros emparelhados. Os olhares atentos tentando buscar algo que não fosse assim tão inevitável. Entre meio a um trago e um soluço ouvia coisas novas que pertenciam a um mundo paralelo. Mas gostava do que sentia.
Tão lentamente para que as coisas permaneçam em seu lugar. O certo sobressaindo qualquer inspiração contrária. Quero mesmo. Mas não me queima com as pontas, joga essa fumaça toda pra esquerda e segue caminhando. Ou pára. Associa. Deita no colchão pra poder pensar como vai ser o dia seguinte. Ou não pensar em nada.
Seu cabelo fica melhor assim. Bagunçado. Os olhos brilhando o que a lua gostaria de ressaltar. Mas não havia estrelas. Chuva e as estrelas resolveram por dar um passeio.
Tamanha sintonia que os pingos sutis faziam ao cair na grama ainda seca. Mas não. Estava distante. Mal podia escutar o som do meu coração bater mais forte.
A porta faz barulho quando fecha. A luz fraca mal iluminava minha face. Gostaria de poder ter visto meus olhos. Deviam estar brilhando, mas a falta de luz não refletia o que havia em mim.
Era pouco. Mas ao menos intenso. E recitava aquilo que só o coração queria pensar na tentativa de surpreender. Fazer diferente. Afinal foram palavras travestidas de essência. E que ao acordar se lembre de que não foi apenas sonho.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Próxima parada.

Esqueci-me de apagar as luzes quando você saiu. Mas a lua iluminava os olhos que eu acreditava em sendo tristes. E a angustia mais uma vez parceira constante.
Foram apenas lágrimas que o fizeram parecer tristes. Passou, logo na próxima esquina que havia dobrado. Afinal é fazer com que outro sofra daquilo que deveríamos enfrentar.
E por esse meio, não se fez presente.
Os que me fez imaginar por quantas horas as lágrimas ainda desceriam por aquela face gélida. Mas o contexto seguiu outro enredo, do qual não mais fazia parte, nem mesmo nostalgicamente.
Preciso da dor para conseguir escrever. Minha aliada quando nem mesmo posso chegar à conclusão mais uma vez de que é você quem permite essa dor. A individualidade toda e a razão como primeira instancia.
E a luz da lua parecia forjada. Pensei em correr atrás e pedir pra voltar. Mas hoje não. Agora compreendo que foi melhor assim. Quando joguei a corda pra você se envolver. E você preferiu navegar no seu mar de mentiras, acabou se perdendo nas próprias palavras e se enforcou. Matou-me.
Não deve ter havido dor e nem sangue, não acredite nisso. Tudo é bem maior do que é escrito. O papel me trás barreiras quando as palavras se perdem. Mas aqui, no lado mais humano, as coisas são sentidas na carne. Na carne viva. Carnificina. Carne podre. Pútrida carne. Que trás consigo também os desejos. Mas hoje não. Mais uma máscara caiu, seu rosto vem manchado de ódio e volúpia e fujo disso.
Quero dobrar a esquina e que o tempo mude. E que a chuva leve embora todo esse desespero, que o granizo se esfregue em meu corpo. E que sangre e sequem as feridas que um dia foi regado pelo teu suor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Em tom de cinza.

E ventou. O ar cinza levou embora o sabor adocicado que sentia nos lábios. Ficou aqui o seco e assim seguia.
Novo. Nada melhor que experimentar da própria companhia, quando o silencio invade, consegue escutar o barulho da minha respiração.
Ao mesmo tempo em que atordoado se faz presente. É quando percebemos que quando ficamos só tudo se multiplica. São três ou quatro de mim a vagar por aqui. E assim nem pensa no que se refez.
Promessas apaixonadas em um devaneio que não tem não há razão de ser. Ventou. E o ar cinza agora levou embora a voz que até então me confortava.
Escuto agora, pelo vão da porta que assovia o medo quanta surpresa e quantos aromas se extrai de um mesmo perfume. Dessa forma, a intensidade que a luz reflete sobre o medo é desigual, um tanto profano.
E quando se experimenta da própria companhia é mesmo a descoberta de que tudo é bem maior que o todo posto – preponderante (um tanto repetitivo, eu diria).
E o amor nos leva...
Ventou. Dessa vez, acho que acabou. Então, sem mais suspiros aliviados, sem mais voz mansa provida de um fundo fálico. Desigual. Maquiando a angústia reforçando os laços, que ontem foram de algodão (ela pensaria aqui: ele me tira do campo de algodão...).
“Meu caro amigo”, eu diria, É preciso primeiro os pontos, antes eles à interrogação que nos persegue. É tudo tão grande, mas não há mais espaço para o medo. Talvez essa fome de felicidade nos sacie com essa vontade de viver.
Ventou. E dessa vez levou embora os sonhos, reduzidos ao pó. Outra vez cinza. E bagunçou as letras do alfabeto e te levou para longe de mim (agora é esperar que vente no meu peito e que tire esse aperto daqui).
São tantas coisas a se dizer, que prefiro o silencio, mas que vente também nos sonhos e os espalhe pelo mundo. De repente eu encontro parte daquilo que me surpreende, depois mata. E não necessariamente nessa ordem.
As palavras cravadas aqui não fazem demasiado sentido.
O cinza dessa vez ventou.
É, existe amor viu. Mas a consciência ressalta de que não existe construção em cima de mentiras. Por mais idiota que elas possam parecer.
Mas não. Não é. Ressalto. Tudo o que fazia era parte de mim. E se morre você. Morre também os meus sonhos...

domingo, 9 de novembro de 2008

Por onde?

“Viva agora, envelheça depois”

Sabe quando lemos algo que nos tira o chão. O que faz repensarmos em tudo o que já deixamos para trás com medo de viver.
Mas o que é essa ‘vida’ da qual tanto estamos em busca. Aquele perfume que deixamos de usar para guardar umas gotas a mais que serviria para um dia mais especial que o vivido, que também adiamos e por ai vai.
Por quantas vezes perdemos os eixos por medo. É ele. O medo. O que toma conta agora. Medo de envelhecer. E só. De adoecer. Da chuva, ou medo que as gotas da chuva molhem a poesia ainda não acabada.
Mas se estão aí é para ir. Olhe mesmo, mas sem exageros. Beba, até se sentir alegre porque as pessoas a sua volta não precisam saber quando seu estado pessoal está alterado.
Venho aos berros te suplicar por justiça e que a ganância não cresça com isso. Que ao mesmo que tempo que morre, volte, mas em um outro contexto.
De certa forma o conhecimento é algo que envelhece. Então devolva bem as intolerâncias e sorria para a lua. Quem sabe ela não ilumina a sua noite escura.
Abra as gavetas do armário e mecha nas fotos empoeiradas que um dia foram molduras. Assim. Retangular. Ocupando o melhor espaço na sessão de livros velhos, histórias antigas.
Dói. Mas é assim mesmo. Quanto mais vive. Mais deixamos a criança que fomos um dia de lado. E com isso. Morre um terço da esperança. A euforia sufocada só vai se fazer real se levantarmos da cama, para sentir o frio do chão invadir todo o corpo. Essência para sentir-se vivo. Assim se vive.
Entendemos a partir disso, que quando mais se ganha é proporcional ao que se perde. Compreendemos então que deixar de lado aquele sorriso que poderia ser retribuído poderia ser fatal.
Acredite em você. Faz bem. Afinal sua companhia deve ser a mais importante. Que seja ao menos preponderante.
É. Faz bem cada passo dado a frente. O sorriso espontâneo esperando enxergar através dos lábios o caminho certo. Aquele que deve seguir, e para onde devemos ir.
Mas não. Só acreditando em si e no seu próprio reflexo. Aquele do espelho. De resto, é tudo contrapondo a tudo aquilo que envelhecemos forjando uma ignorância repugnante.

mais uma dose.

Era noite. Pelo menos assim dizia a lua quando iluminou seus olhos. Pouco distantes, mas refletindo toda aquela vontade de seguir adiante. E assim foi proposto entre meio aquele olhar doce e surpreso de vontades.
São elas, as inspirações que me tomam agora, e de repente caminhávamos em busca daquilo que ainda não havíamos perdido. E as mãos buscando um ao outro, mas sem causar euforia. Só aquele momento, travestido de outros que não mais viria...
Encosto a face no colchão descompensado e não paro mais pra pensar, mesmo não tendo mais o que fazer. É. Lindo. Mas esse conteúdo vira poesia não. Tão mais profundo e certa vez mais sórdido que isso.
Agora, sem a luz contornando sua face. Perdemos o brilho que ocupava os olhos, agora opaco que encontrava uma respiração apurada que buscava um ao outro. As mãos que despem as vontades, agora calmas, pensativas. É. De certa forma desiguais conhecendo de certa forma as linhas que percorria naquele corpo, porém em medida certa, bem dosada.
E me faz pensar com orgulho, principalmente no deixar dessas palavras, nos conseqüentes atos. É. Respiramos. Um ao outro. Juntos e separados. Embalados em um ritmo individual e pertinente. A entrega, as barreiras que separam o certo do que na verdade vivemos.
E caminhávamos de volta em busca de luz. E a lua iluminando ambas as faces clareadas a cada passo. É. Mais ninguém notava aqueles dois em busca de si. Na verdade o que vivemos foi cravado pela retina e nada mais importava por mais que a luz não se fizesse presente.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Depois de ontém.

Era uma tarde linda. De verão.
Espera um pouco, dizia ele. Verão que nada. Inverno. Se a história começar errada o fim não poderá ser diferente. Então vamos colocar os pontos nos “is” e seguir adiante. Afinal. A tarde era linda. Isso é a única verdade que existe por aqui.
Acordamos por volta das sete horas da manhã. Sem sono. É esse tempo não ajuda mesmo. Contrapondo a frase de cima. Tava abafado. Parece que vai chover. Não chove. Isso só piora as coisas. E o barulho da chuva que não existe a me seduzir a caminhar pouco mais pelo campo de algodão, admirando os vitrais coloridos da capela. Que isso. Quanta viagem. Intolerância. É só mais um texto. Mais um de meus textos que perdem a corrida antes mesmo da largada.
Então que seja: Era uma vez. Afinal. Foram tantas. Fizemos compras e assistimos a um filme. O que menos importava ali era o tempo. Não me lembro bem as quantas andava tudo. Quanto ao campo de algodão. A sei lá. Deve ser pelo brilho que existia nos olhos.
E o vento foi conduzindo o dia. Não precisamos de regras. Mas licença poética também não é o caso. Fomos humanos. Mais humanos que pudéssemos ser. E erramos.
Anoiteceu.
Sei que não podemos lutar contra o tempo. Acho melhor deixar ele de lado e não pensar. Afinal. Acho que nunca estivemos separados. Mas de fato você pra lá. Eu. Há alguns passos à esquerda. Porque esquerda? Sei lá. Para de me encher vai. Precisava escrever algo. Não sei muito bem o porquê. Mas está ai. É isso ai e vai seguindo adiante.
A música fala de milagre. Essa que estou ouvindo agora. A verdade é que não podemos viver sem um grande amor. Os olhos. Quanto me faz falta. O cheiro deles. A essência. Pensei. Mas não disse. Afinal. Chega de conversar com as paredes. São também mais quase quatrocentos quilômetros. Apesar de estar aqui tão junto de mim.
Vou até a venda da esquina comprar uma dúzia de novos sonhos. Que esses sejam mais fortes que os outros e sobreviva a nós mesmos. Quanta força contrária a isso tudo. Prometemos lutar. E isso foi tudo.
Não existe mais soluço. As lágrimas secaram quando vi tudo virando. Ele já dobrava a esquina. A retina fotografando tudo. Mentira. O que ele queria naquele momento é que passasse.
Não passou.
Calmo ai. Já estou quase terminando. Na verdade nem sei o que estou dizendo por aqui. O dia pode ainda não ter amanhecido. Restam as lembranças das fotos mal tiradas. Gente. Como é difícil reconhecer. Olho pro espelho. “Por onde andarás Stefen Fry?”
E assim arranco um sorriso meio que de lado. Amarelo.
É. Acabou o assunto.

É, recomeçar.

São manias. Essas eu não controlo. Já é outro dia. Eu. Acordado. Dois terços a menos. E como faz a diferença. A noite parece já não mais ter começo. O ponto. O fim. E nada. Nada de equilíbrio.
Escrevo. Porque já virou rotina. Nada de textos de sucesso. Todos eles falam de dor e como não sei lidar com ela. Mas gosto desse jogo de palavras. De ousar. Mas de cair não. Disso ninguém gosta. São trechos carregados de emoção. A música não muda sozinha. A quem será que toca as mãos que um dia... Melhor deixar pra lá. Se o sono tivesse de vir. Já estaria por aqui. E, no entanto. Bocejo. Mas não se passa mais disso.
Palavras. Três letras erradas. A falta. É devo mesmo ser forte. Mas nem é bom tratar disso agora. “É sangue mesmo não é merthiolate” Se humano. Porque surreal? Porque o som da voz ainda me... E porque é que os sonhos existem mesmo se podemos sorrir de verdade?
Vamos dar uma volta na praça e construir outro barquinho de papel. A gente junta com chiclete e tudo vira festa de novo. Por mais que o silêncio insistisse ainda naquele momento. É. Houve partida. Porque mesmo lembrar disso agora?
É. Mudei a música. Tudo permanece estático. Como produzir sempre a mesma vírgula. Interromper com tremas desconsolados. Ainda me resta a vontade de ser forte. Vontade de botar pra fora as lágrimas interrompidas naquele sábado à noite. Será que olhou pra trás. É. Agora. A vontade de gritar. Porque não sai correndo em busca da minha metade? Hoje entendo. Mas não aceito essa distância. Ligações e ouvir a voz já não me bastam. Nunca bastaram. Quero sentir o cheiro dos olhos. Tocar nos lábios como se fosse aquela primeira sexta-feira. Aquela que só o calor do nosso corpo nos aquecia. E, no entanto, o frio. Que permanecia entre as frestas dos braços que se soltavam. A primeira partida.
É. Cheguei tarde “em casa”. Levei bronca. E sinto falta até disso. Distância.
Com as letras grandes parece que escrevi bastante e que muita coisa saiu daqui. De dentro. Para ocupar um pedacinho no vácuo. Bom mesmo é ser lido. Difícil mesmo é lidar com as propostas de angústia que traz consigo o anoitecer.
Tudo escuro. Sem a voz de fundo pra me acordar com carência.
Olha. Confesso. Como ta me fazendo falta. “Se a paixão fosse realmente um álibi o mundo não pareceria tão equivocado.” Mas não. Já passamos disso e se ainda existe a falta. A outra metade pra completar a que falta do copo vazio. É. É mesmo. Amor...
E nada melhor que as reticências pra destacar melhor isso. Esse. Isto. Que seja. Queria ver o nascer do sol pela janela do meu quarto novo. Resgatar todas as energias dos raios amarelados que atravessariam as cortinas. Mas não. O dia está longe pra chegar. E nem mesmo consegui dormir. Tentar esquecer que terei que contar palavras pra chegar até você. É meio a meio. A troca e chegamos lá. Juntos. Andar de mãos dadas pela praça mais quente. Olhar nos olhos e sentir amor sem precisar dizê-lo, fragmentar a essência e juntar assim. Olhos nos olhos. Pele na pele. Por que assim é mais fácil de sentir.
Olho pela janela clareada por uma luz artificial. Que reproduz distancia e desalento. E as horas ecoam as notas mais doloridas e frágeis. E se quebram...
Prefiro as músicas tristes que me traz o silêncio como resposta a tudo aquilo que ainda não tenho e me vejo longe da estrada. Comendo a poeira que seu rastro deixou. O ar paralisado não faz balançar o cabelo. Mas pouco importa. Afinal você não está aqui pra ver. Vem. Abraça e me aperta bem devagar. Como se fossemos um só. E a música não precisaria se repetir porque teríamos uma nova velha história pra contar. E dessa vez. Pra valer. E lutar um pelo outro. Buscar na nostalgia do olhar, o sorriso mais brando. Mas quando anoitecer mesmo. De verdade. Com estrelas no céu. Vai ver que meu sorriso reformado estará de volta. Reunindo as partezinhas que restaram do ontem pra começar essa nossa nova história.

produção.

“E a consciência matou um cigarro!”

Embora ainda respeitasse a partida com ilusão. Tudo então se torna especial. Existem horas que era melhor que passássemos despercebidos. Isso interromperia. De certa forma. Mas não haveria partidas. Nada de encontros. Nem desencontros.
Por onde estaria o seu. Sorriu. Já se foi.
Às vezes é tão bom. Pensar nada. A cabeça não pára. De novo. Que coisa repetitiva. Necessidade de produção. Reflexão. Joga no papel. Sai da gente. E só resta o medo do vazio. Aquele que toma conta.
Por quantas vezes procurei a lua. Atrás das nuvens. Acanhada. Carregada de sombra. Hoje não. Embora a felicidade...
Parece distante. Volta pra cá. Olhe para os lados. Chega dessa viagem. “Vai, vem embora, volta.” Admite. Estamos buscando a felicidade. Mas hoje tenho o meu melhor. Aprendi a ficar comigo. E descobri que não há companhia melhor. “Que o convício comigo se torne ao menos suportável.” Talvez seja esse mesmo o espírito da coisa. E seguir. Sempre. Contei com um sorriso a mais. Um sorriso calmo, porém pouco alterado. Preenchido dos sentidos que criamos. Na verdade talvez não precise. De certa forma a companhia. A ambivalência das sensações. O re-criar do que os olhos ainda não viam. E segue. Vai anda. DE-VA-GAR. Mas vamos. Estamos. De repente. Alegria. Sórdido. Pouco cruel. Mas radiante.
Com as mãos no volante e segue adiante. Como que hipnotizado. Quem sabe a esperança possa não estar, mas sendo posta a prova. E o dia aparece. Amanheceu. Talvez sem sol. O sorriso do vento me acompanha.
Então aprenderia que devo respeitar as partidas. Como um ritual. Embora não sem dor. Pensava ela. Enquanto dormia. Se iludindo mais uma vez.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Entre meio aos risos sórdidos (desespero)

Estava ali. Vivendo forçadamente aquele contexto. O meu contexto. E as coisas perderiam completamente o sentido se não fosse olhar pra frente. Por isso escrevo. Antes mesmo que a angústia tome conta de que aqui estou. Olho para o telefone. Reclamo ausência.
Quando for presente. Que faça jus. Enobreça.
Quanta gente. Nenhum espaço. Livro na bolsa. Coloco de lado o boné. Entre meio o banco e a janela. Assim. Descritivo ao máximo. Dentro de um calor quase que insuportável. Que fique claro o quase.
Deixa pra lá os clichês. Disse-me que desencanasse. Quem sabe ele tenha mesmo, parte dessa razão. Por onde anda o meu mundo. O real?
A caneta já começava a falhar. O suor das mãos no papel. De nada estava adiantando esfregar a caneta nas bordas. A busca da saída de emergência. E a paciência acabando. Em verdade. Nunca ouve. Quanta grosseria a minha volta. Sou diferente disso. Disse ele a si. Mas esqueceu de organizar os seus pensamentos.
Já ia me esquecendo deles. Os remédios. Um deles só. Puxo a bolsa com voracidade e quase que cai na cabeça dela. E por que não? Desta vez é melhor citá-la. Entre rimas e um riso um tanto que prognóstico do desespero. É como se estivéssemos ali. Paralisados. E na verdade estávamos. Imóveis a nos mesmos. Mas o que nos trazia até ali era bem mais forte que todo o resto do enredo que podemos chamar de contexto.
Ali. Quase bêbados. Com coca-cola. E por hora. Cheio demais. E com calma “a gente” chega lá. E bem perto.
O livro agora na bolsa dela. Distraída. Ela nem notava que meus pés estavam doloridos. Vou mudar a posição. Só que dessa forma não consigo por pra fora. Melhor resistir a dor.
Óculos de sol. Tampando quase o rosto todo. O papel. A caneta. A mão direita, que dói. E os cabelos ao vento. Esvoaçado mesmo nada romântico. Travesseiro nas mãos. Cada um com o seu e sigo. (Mentira. O meu estava distante).
Bota as asas um pouco de lado e vê se consegue dormir. O tempo passa mais rápido. A sensação de que ele passa mais rápido. Isso sim. É real.
A luz do sol atravessava a lente dos óculos. Retina. A mesma paisagem. Tudo isso cravada. A rotina. Dessa vez é dela que me alimento.
Ela me falava sobre Camões. Dizia que ele escolheu o livro. Deixou a amada. Junto ao mar. Levava as águas também, toda a angústia, deduz. O ponto final e o recomeço. Eu ficaria com o amor, a inspiração. E poder ouvir bom dia pelas manhãs seguintes. Levaria-me a loucura. Amar e amar. Menos mal assim. Temos a prova do que restou do amor. Optar pela razão. Dela também se extrai a poesia.
É Camões. Algumas pessoas jamais te entenderiam. Mas a grande prova de amor foi dada. E no livro. Os cânticos. O amor. Pra que lado virar se no final da estrada se tem um cruzamento?
E no navio só restaria o espaço para a poesia. O ‘humano’ jamais a entenderia.
Até o sono da ultima noite. Intensamente dormida. Porque vivi felicidade. Andar de bicicleta à noite me faz bem. Em boa companhia. Melhor ainda. E assim anoiteceu. Assim eu pensava. E foi dito por ela logo em seguida.
Falo do ontem com uma particularidade, por não haver espaços latentes de dor. Uma liberdade conquistada. O ar. Se existe paz. A tive por longos instantes. Por hora. Ouvíamos musicas e seriamos felizes. Musicas que inspirassem a ‘vida’ em seu sentido mais amplo. Nem alegres e nem tristes. Pra que pudéssemos lembrar de nossos amores.
Entre risos. Tudo virou nostalgia. A metade que me completa.
Tento encontrar além de tudo aquilo que vejo. E o telefone. Porque sempre me acompanha. Deve fazer parte de mim. Que óbvio. Por enquanto só a voz. Não posso ter mais que isso. Pelo menos não por agora.
E o dia acontece. A paisagem é a mesma. O que muda? Um ou outro passageiro. Ousadia minha dizer que são todos iguais. Prefiro pensar que são pessoas.
Quando olho para o lado ela sorri. Será que soa muito áspero dizer o que penso. Ou tudo o que penso é que é assim. Tão amargo. É gosto de remédio na boca. O que me cura. Vicia-me. Pensei em tudo isso. Mas insisti em manter-me calado.

domingo, 19 de outubro de 2008

Então, que chova!

É mesmo. Tava perdido nos teus pensamentos quando o telefone tocou. A realidade me batendo a porta. Convidando-me pra sair. E entender que os muros pichados foram pintados de cinza. E que o céu não é mais azul. Estranho perceber que não pode enxergar através dos olhos do outro. E que o sol jamais voltará a ter aquele brilho. Como é difícil acreditar. Ser. Estar. Cravo estacas de vidro em meu peito. E espero o efeito baixar. A noite cair. Quem sabe o novo. A contagem. Contrapondo tudo aquilo que me fez deixar. É. De certa forma. Converso comigo mesmo. Debato meus problemas com as paredes. Que só me retribuem o pó. Nada de construção. É pisar nas nuvens encharcadas d’água. Cair. Desta vez não me afogar em lágrimas. Paro o que estou fazendo. Vou até lá. Que a inspiração recomece. Que os olhos brilhem. Ainda há esperança. E o sol pode brilhar de uma maneira diferente. De repente o que falta é olhar pra frente. Sumir de vez com as gavetas empoeiradas daqui. Se fizer chuva. Você. Um cinema. Só depende de o telefone tocar...
E o novo. Sempre vai chegar. É só acreditar ir além dos céus. Parar. Dar as mãos. E sair andando pela avenida movimentada. Talvez perder o passo na próxima esquina. Mas teremos um ao outro. Pra levantar. Recomeçar.

sábado, 18 de outubro de 2008

forever.

Quando nem mesmo a solidão das estrelas me acompanha. O brilho fosco do olhar que não me persegue. Assim acordo. Com o rosto encharcado de emoção. Percebi que não adiantava mais. Não mesmo. Virar para o lado seria ainda mais ausência. A metade vazia que me restava. Pensar e não ter. Ouço sua voz dizendo repetidamente algo distante. Senti-me ainda mais só. Assim. Pude me virar para o outro lado. Aquele que é só meu. A cabeça dizendo sim. O corpo também. A alma reagindo em lágrimas a essa distancia. Adormeci. Talvez para ter você mais perto. Por outrora pensar na vida que ainda teremos. Juntos.
Assim o barulho da chuva se faz mais presente. Alheio ao sono da angústia. Quem sabe não te traz até mim.
Acordei assim. A luz entrando pela fresta da janela. Que esqueci aberta. Parado. Pensando no que diriam as paredes. Já que as mesmas jamais me dariam respostas do que vem a ser a alegria. E a música começa a tocar. Aquela que reproduz alguns dos meses mais intensos da minha vida. Não a mais bela. Aquela que representa toda a dor. Distancia. Afinal. O que você faria? Se eu te dissesse não ao invés de sorrir. Se sentisse vontade de te abraçar por longas horas. Se todas essas coisas se misturassem quando eu pensasse em você?
E paro pra pensar. Quando é que começa. E vai ter um prazo pra acabar? Por seria assim. Desejo agora. Botar uma musica alegre. Leve. Que me fizesse sair correndo pela casa. Sem nem ligar para as paredes a me julgar em toda essa instancia. Existência. Seria essa. A minha vida. Entregaria. Mas pra dividir além dos sorrisos as angústias. Que juntos. Pudéssemos. Como naquele dia. Dar as mãos e sair andando. A fotografia retrata melhor tudo o que digo. Seria o dia mais feliz. União das almas. A entrega. O seu amor em mim...
E correríamos abraçados por um vale de flores. Afinal. Lágrimas. Não mais existiriam. E isso tudo se mesclaria com nosso amor. Ao final nos confundiríamos mesmo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O tempo.

Conto as horas pra ver se o tempo passa mais depressa. As coisas estando no lugar dela facilitam um pouco. Mas a desordem não é tão mal assim. Mostra que está havendo mudanças. Mas eu to falando de amor. Não da sua doença. Penso em mim agora. Eu. E como é mais fácil. Perfume novo. Novo frasco. Totalmente. E vida nova. Tudo novo de novo. Será? Vem comigo. Até onde posso ir com as minhas próprias pernas? Até onde vai um sentimento? Até onde começa o egoísmo de achar que somos dono de outra pessoa. Que na verdade deveria existir por amor. Se não por falta. Porque não existe mais?
E paro para pensar nas incontáveis vezes que deixamos de ser um só. Pra ser a gente. Ser real. Difícil é aceitar que eu posso ser vários. Ser você. E você jamais entenderá o que sinto. Porque vive você. E não eu. Eu não. Escrevo aqui e olho pra trás. Talvez fosse o meu passado reluzindo meu futuro. Você? Não posso mais crer nisso. Eu te matei. Dentro de mim, eu te matei. Mas de certa forma ainda tenho você aqui vivo dentro de mim. Por quê? Como é difícil ouvir a verdade. Quando o sinônimo é culpa. É estar acima do desespero. Uma forma de ambição. A maça esquecida na geladeira. A banana que não madurece no pé. E por ai vai. Tudo uma mescla das conseqüências do que nós fomos. Do que queremos ser. E do que vai vim daqui por diante. São pensamentos. Seus. Posso até dividi-los com você. Mas não. O peso da culpa. Isso eu não carrego mais. Nunca fui o outro. Sempre fui eu mesmo. Posso ter sido parte de você. Hoje sou mais uma parte de mim. A cada caco que recolho.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Perfeição.

Parado. Ônibus tremendo. Chacoalhando. Na verdade. A letra. Mais ainda. Hoje ganhei um broche. Significados. Uma teoria. Vida. Ou parte dela. Interrompida. Início. Dor. Sangue. Sempre muito. Muito sangue. O novo. Esculpindo essa dor. E mãe. Amor. Quanto amor. Junta as peças e se dá conta disso. Gratidão. Bem mais que isso. Sei lá. É real. Amor. Fez vida. Hoje. Parte de mim. Ontem. Também. E não é de agora que me dei conta.
Pingente. Anel. Conversas. Lembranças remotas. O não vivido. Como é difícil. Esquecimento. Maquiagem. Dor. E sigo em frente...
Sai atrasado. Coloquei o cachecol vermelho. Do Otavio. Não importa. Me dá força. Um pedacinho dele. Tenho que cuidar. Não posso lavar. Mas que negócio é esse? Conversando comigo mesmo. É preciso. O Rodrigo sempre dizia. É. Especial. Do Otávio. Da Holanda. E por ai vai. Deve ser lindo por lá. Amanhã. Quem sabe. Foi lá que fiz planos de viver um grande amor. Hoje. Escorreu pelas mãos. Falta. Sobrevivência. Dor. Muita. Sempre.
Minha irmã chegou logo depois de mim na rodoviária. Suspirando fundo. Os olhos. Grandes. Deu tempo. Não perdi o ônibus. Existia algo por lá. Que só pude descobrir no final dessas linhas. Ganhamos. Do tempo. O Ônibus parado. Ainda parado. Já devia ter saído. Mas todos se atrasam. E ele? Está acabando a bateria do celular. E a minha. Mas o que menos importa é isso agora.
Iluminado agora. A luz que faz sombra, traço linhas pela metade, tentando juntar os pedaços. Esperança. Um inteiro. Metade cheio. Metade vazio. Dizia ela.
Meu pai. Nervoso. Virginiano. Preocupado. Organizado. Eu. Nem tanto assim. Tento manter a calma. O que me restava. Respira fundo. Diria ela. E. Falando dela. A perna pode estar doendo. Copo de água. Remédios. Mãos tremulas. O cachecol dando apoio aqui. O tênis incomodando. Do outro lado. Me sinto acompanhado. Pelo medo. O telefone toca. Ela tava mesmo pensando em ligar. Eu dei um toque antes. Ela ligou. Eu acredito. Nela. Nela eu acredito. Na dor. Na dor. Não. Conversa. 7 minutos. Passaram como segundos. Quando estamos juntos o tempo passa depressa. Pelo telefone então. Isso se duplica. Saudade. Saudade. Não existe outra palavra mesmo. Ainda não sei quando voltarei a vê-la.
E falamos do ontem. Como fomos felizes e rimos. Minha mãe. O telefone. O hoje. Dia bom. Passamos juntos. O melhor dos dias. Motivos para rirmos e sorrirmos de tudo. Ela me da à alegria. Em dobro. “Só as mães são felizes”. Diria. Cazuza. Aqui não. É diferente. Pelo menos hoje. Hoje. A proteção.
Tempo. Dono da razão. Seremos amigos agora. Minha mãe. E eu. Incontáveis diferenças. Em comum. O amor.
E o Rodrigo. O telefone. Eu. Saudade. Nervoso. Não pude ligar. Estava atrasado. O ônibus. Poderia tê-lo perdido. Aprendi. Amigos. Pra isso mesmo que servem. Ombro. E estão ai pra isso. Bem mais que isso. Da família. Desespero. Ligo. Broncas. Ergue a cabeça. Muleque. Ponto de equilíbrio. Confiança.
Passei por horas medindo a intensidade da minha dor de cabeça. E que não venha. Quero. Preciso. Vou. E vou escrever. Crianças não param. Essa da frente. Intolerante. Fazendo o papel dela. Incomodando-me.
Ele estava lá. Na rodoviária. Não vi. Mas estava. Senti-me importante por isso.
Planos. Nada seguros. Pelo menos por enquanto. Acho que depois piora. Entregues ao acaso. Quem sabe. E o telefone toca. Uma nova mensagem...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Keep on rising.

Pára. Olha. Meu Deus. No alto da escada. Passa. Olha. Sente. Percebe. Volta. Tudo bem? É. Voce? É, sou! Tudo bem? Tudo! Nostálgico. Apreensivo. O que quer? Por onde? Quero. Voce? Também. Vamos. Olha. É mágico. Denso. Parece sólido. É noite. E o dia? Como vai ser? Perguntas. Respostas. O brilho. O olhar. Voce. Eu. A música. Keep on rising. Vai. Pula. Dança. Corre. Ta tudo normal. Juras. União. A ponte. Todos. Ninguém por lá. E tudo. O eu. O voce. Saudade.

domingo, 28 de setembro de 2008

Disfarça e chora.

Vai. Disfarça. Chora. Aqui não pode. Deixa pra depois. E vamos pro canto. É bem melhor que chore por lá. Tem ninguém por perto. E daí? Disfarça. Sorri. Finge que acha graça no ganhar e perder de uma noite toda.
Quanta gente. Ninguém. E todos. Escutando o som que a bebida cogita. Todos. Embalados em uma melodia nada clássica. Perturbadora.
Vai. Sobe as escadas. Agora. Desce. De repente. Eu não quero mais. Disfarça e chora. Novamente. Sem ajuda deles. Os remédios. Perdido. E ela. Meus olhos. Tão longe de mim.
Promete. Cumpre. Fica bem. Disfarça. Sorri. Finge que foi sonho. Apaga as mensagens que te faz lembrar. Chora. Não disfarça. Ninguém vê. Mas lembre-se. Apagou.
Além de morrer. Quantos de você hei de matar? Anda pra frente. Vai. Isso é vida. Vida. Flor. E vida. Tudo. É vida. Caminho difícil esse. Vai pra lá. Essas coisas. Sei lá. Dizem. É. O coração. Coisas dele. Vai. Bate. Pulsa. Pulsa forte. Pára. Arrepia. Segue. Vai. Disfarça. Depois chora. A vista embaçada. Lágrimas. O carro. A partida. Não vejo. E o desespero. Lágrimas. Dor. Voltar do nada. Ir pro nada. Como isso cresce.
É como uma célula do mal. Dizia ela. Cresce. Mata. Só. O que é bom. Mata só o que é bom. O que? O que resta. Retalhos. Retratos. Do meu corpo estirado. No colchão. A dor. Falsa alegria. Conquista na luz. Perde-se quando escurece. Ri. Chora. Depois. Disfarça. E não esqueça. Avise. Quando voltar. Se voltar. Disfarça. Vai.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Killer.

O que você faria se visse meu rosto no jornal? Se soubesse que tudo acabou dessa forma?
Dor. Sangue. Loucura. O que foi que você fez comigo?
Nossa história. Eternos meses de amor. Ternos meses de dor. O sangue escorrendo a cada palavra. A cada silêncio teu. A cada chamada. O telefone.
O que você faria?
O que você faria?
Venha, olhe pra baixo.....
Olhe nos meus olhos... Você está me matando... Está me matando...
Em algum lugar... Pra que lugar poderia correr? Confiança. Pedras quebradas. Buraco. O chão se abrindo. Dopado. O buraco. Dor. Venha ver tudo o que você quebrou. Levante-me pelos braços, olhe nos meus olhos, você está me matando... Você está me matando... Ao redor... É tudo o que Você construiu.
Meus sonhos. Desejos. Eu acreditei em você. O defendi de todos. Coloquei-o num pedestal. Você se jogou de lá. Se atirou num mar de mentiras. Tirou todas as suas máscaras. Um monstro. O monstro que amei. Por quem me apaixonei. Não seja covarde, me olhe nos olhos, veja! Você está me matando, aos poucos e a cada dose desse veneno que bebo. Você está me matando.
Dentro desse buraco frio em que me encontro, olhando pra cima, só o que vejo é seu rosto. Fitando-me de longe. Se jogue! Venha! Veja o que fez! Olhe nos meus olhos! Você está me matando... Está me matando! Aos poucos. E a cada dose. Está me matando...
Não tente se explicar. Não diga que estou errado, ou que está arrependido. Chore. Soluce. Na sua frente não derramarei uma só lágrima por você. Não demonstrarei nenhuma compaixão por você. Eu te amei demais. Chorei demais. Mas agora estou forte. Fiz-me forte nesse Buraco.
A cada tempestade me fortaleci. Alimentei-me desse barro que escorre por essas paredes. Veja! Olhe você mesmo! Estou na merda do buraco em que você me deixou. Mas não verá uma só lágrima minha cair por você. Olhe nos meus olhos. Você me matou. Matou meu amor por você. Está me matando... Ao redor... Veja... Tudo o que você construiu...
Agora vá embora! Você não é bem vindo aqui. Vá! Agora! Não quero mais ver seu rosto. Suas máscaras! Vá embora... Chega!
Mas antes olhe nos meus olhos. Você me matou. Matou nosso amor.
Deixe-me aqui. Vire as costas e eu poderei chorar. Em paz. O luto. Pelo que acabei de matar. Matei você. Aquele você que estava dentro de mim. Não existe mais. O seu sangue escorre pelos meus olhos. E agora você não faz mais parte de mim. Sou apenas eu aqui. Apenas eu. Até que essas lágrimas se transformem no rio que me levará à superfície. E me tirará do fundo. Do fundo desse buraco. Que eu mesmo cavei. Por te amar. Por ser você. Agora, eu. Sou Apenas. Eu.

(Por Damaris)

domingo, 21 de setembro de 2008

monotonia.

Vamos passear pela praia...
sujar os pés na areia,
andar descalço com o peito a mostra.
se a chuva fizer presente,
vamos pra casa,
botar os incensos de lado,
embriagarmo-nos com os peixinhos do aquário,
envoltos no mesmo edredom
e supridos do mesmo hábito.
O que em mim te fez persistência.
O retorno.
Os olhares e os corpos se encontrando...
Aprendi que nada mais permanece estático quando penso em voce,
e quando voce me invade.
Por quantas vezes seria necessário olhar no espelho pra te encontar.
Por quantas noites mais vou parar para observar a lua desaparecer
e o brilho, o sol e as núvens se encontrando.
O ambiente é outro.
Eu sou outro.
Os outros, os que antes eram os mesmos,
agora não páram - vagueia pra lá e pra cá.
Avisto um tenis roxo,
que me faz relembrar o ontém, o presente. O voce.
E por onde anadarás agora?
E quanto mais será preciso?
É reflexo.
As pessoas não sabem o que falam,
e no entanto, não se calam.
Elas passam do verdadeiro limite. O da emoção.
Tudo ao menos persistente, deveria ser sólido, o brilho.
Hoje, híbrido.
Me faz pensar em desistir.
Preciso me focar em outro agora.
O "pra sempre" acabou, me sobra o resto de repugnância.
Agora. A troca.
O íbrido novamente.
E toca. Atendo. Por onde andas?
Percebo o jogo que se faz com as palavras, e encara o meu sorriso bobo.
Se me perguntares o que quero agora.
Diria que é sobre meus pensamentos.
Quero te encontrar à meia noite.
Tomar aquele sereno do amanhecer do dia.
E quando os olhos abrirem. Sentirei tua presença e suas mãos passando sobre o meu corpo.
O corpo sorrindo outra vez.
Pura harmonia.
E voce ai do outro lado ainda lembra.
Foram dois ou tres beijos,
talvez se não não tivesse virado as costas, poderiamos nos apaixonar.
O reencontro marca a surpresa,
hoje a recíproca e os corações ardem o medo.
Agora a intensidade das coisas são mais reais.
Existe o outro.
Em que gaveta do armário o coloco.
Existe espaço para os dois.
Um pela conquista. Outro pela reconquista.
E o espelho, esse que fique na memória...
As pessoas já não mais sabem o que dizem, entretando.
Não se calam.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Inibidores.

Engraçado que quando criança tinha curiosidade em saber de onde vinham, de que se tratavam os remédios com aquela tarjinha. A preta. Que as pessoas costumar transcrever enquanto: é loucura.
Acabo de perceber que isso fazia mais parte de mim do que eu pudesse imaginar...
Acho que não levanto mais da cama sem eles.
São tantos os nomes para as mesmas substâncias: Valium, Prozac, Diazepan, Apraz e por ai vai...
E olha que são uma porrada deles.
todos eles pra aliviar essa minha tensão que, segundo o médico, não é nada passageiro.
Tava escrito lá: Tratamento por tempo indeterminado.
Como se agora eu fosse a própria bula do remédio, entende?
É dificil mesmo aceitar que a gente cresce, e a mente, essa anda anos luz adiante.
Quem diria que aquele absolutismo e genérica mudança de opinião não fosse apenas graça.
Obriguei-me a prestar mais atenção em mim, e a cada dia que passa, mergulho a fundo. E me perco.
São tantas as coisas que hoje fazem falta.
O desejo, o sabor, o aroma.
Mas não, são 'esses' que me fazem ir além e ainda inibem toda essa dor. Portanto meus aliados companheiros de hoje em diante.
São tantos os problemas que passaria por vezes a escrever. E nada disso. Não me orgulho nem um pouco disso. Digamos que a mente um pouco mais 'moderna' e humildade sufuciente para admitir: É. Tudo anda errado. Estou errado. Preciso de ajuda.
Ele me escuta mais ou menos quatro minutos e me dá o pré diagnóstico. São as pilulas(zinhas) da felicidade.
Não to bem. Tomo. Passa.
É mesmo, uma boa dose de Transtorno Bipolar regado ao cinismo do Transtorno Obsessivo Complusivo que me acarreta uma depressão, também (zinha). Nomes que diriam que se encaixam na paráfrase do bom senso. Idiota, se pensar assim... que faz ir pra bem mais além de onde eu poderia supor que um dia chegasse.
Nada de ofurôs. Bistrôs, com toda a repugnancia que hoje se enquadra.
Nada triste também. Dificil mesmo é quando o colchão começa a descer e voce perde os sentidos de onde está. Pára de beber água porque está indeciso entre dois copos. É fácil? Tenta quebrar um pra ver o que acontece. E a coragem? Por onde andava a outra parte? perdida em qual gaveta mesmo da postagem anterior. Encerro por aqui.
Psicotrópicos me aguardam, coquetel de comprimidos, parece poesia já né? Não é. Isso é vida real.

controvérsias.

Não sei mesmo o que te dizer.
Afinal, não passarão de palavras.
Prefiro acreditar e lembrar dos momentos em que pertencia ao seu colo.
É tudo tão grande, não há medidas, e como ainda cresce...
Me vejo em um mundo de gente grande, por onde anda meu porto seguro?
E a esperança atropelada pela ganancia e a miséria.
As janelas do mundo não me entendem, nem se quer me ouvem.
Prefiro não pensar em tragédias. É, de fato estou em um mau dia.
Daqueles onde até o caixa eletrônico acaba o dinheiro. Justo na minha vez.
Bendita falta de sorte - prefiro pensar assim, vai que atraia, né?!
Estou me guardando na terceira gaveta do criado mudo,
quero passar um tempo por lá...
quem sabe um pouco de poeira não me faz bem?
E que eu crie raizes que me fortaleçam para ser.
Pra que quem sabe um dia eu ocupar parte do seu criado mudo.
Até mesmo sendo seu livro de cabeceira...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

ultimo trago.

Dividido entre a mais bela obra de arte e o pensamento em que eu me entrego,
só um escritor pra compreender o outro sem ser fugaz.
With Or Without You.
por tantas vezes aqui,
de frente ao "eu-mesmo" bem maior que o espelho em que pudesse ser capaz de te encontrar,
espelho sujo,
refletindo uma face imunda de seu próprio ego,
que a partir desse momento se tornaria delírio.
Por quantas ruas mais seria capaz de andar sem ser notado,
com lágrimas nos olhos.
Hoje não peço mais que fique,
tenho a companhia de meu cigarro encantado com os inimagináveis aromas,
que me acompanha sem a cobrança de longas conversas,
depois de uma noite repleta de delírios inimaginaveis,
pensado na bala que o tiraste de mim...
Será como encontrar o elo perdido das emoções,
misturando parte da sobra do baton do copo com o gole de cerveja que mataria,
se não fosse obvio.
Por tantas avenidas seria capaz de brilhar,
se seu sorriso fosse o mais puro,
e deixasse a dormir em paz quando apenas deitasse pra repousar.
With Or Without You
Com ou sem música viverei ao teu lado sempre,
mesmo que contorne o choro no soluço copo de cerveja nunca degustado,
molhando-te com os dedos,
esfregando a sobra de baton,
desta vez o que resta na boca,
o desejo e o medo me acompanhando ali,
fielmente,
e eu...
deixei de viver naquele ultimo trago.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

reticências

Passamos por toda uma vida procurando um porto seguro,
Abrimos as portas, mas esquecemos que os raios do sol costumam passar pelas brechas da cortina.
Deixamos de ouvir as músicas mais densas,
e elas se perdem por todo o corpo e entorpece.
E quando o desespero bate a porta, nos embriagamos,
pra esquecer do corpo que ardia, hoje se faz poesia, e um novo amor se encontra nos olhos de um um novo eu.
Mudanças.
O tempo todo essa mutação percorre a espinha, nos deixa afáticos e o desconhecido passa a se tornar mais presente.
Nada como quem possa dar carinho sem cobrar nada em troca,
assim nos tornamos pouco mais que meros mortais,
pensando relapsamente no que passou,
esperando o próximo vôo pra encontrar nostalgia,
se entorpecer nas asas mais puras,
e se entregar, mesmo que a claridade nos faça fechar os olhos.
Melhor assim.
deixaremos que o coração sinta a essencia,
se virar poema, é que se faz especial
Por quantas vezes olhamos pela janela da esperança,
e nem notamos que as rosas são azuis...

rehab.

As vezes penso na vida como uma estação de trem.
Os encontros e despedidas são reais, pagamos com a carne,
sentimos na alma,
Importante quando as almas se cruzam,
Os olhos brilhando uma ardencia superior e sincera.
A despedida, os desencontros.
Quanto afeto ainda existe nos olhos, paladar,
quanta impressão num sorriso singelo,
quanto amor, quanta vida.
Longe dos olhos e perto do coração.
Enquanto a alegria nos espera nos cais.
Quão distante as almas quando se enobrecem.
A falta trazendo a angústia e a dor,
Regada no ímpeto do puro,
sem maldade.
Vai mesmo, se joga,
bebe e dança,
E quando desvanecer...
Estarei aqui pra te dar aquele abraço revigorante,
E um novo recomeço que aconteça
Por quanto mais tempo os olhos hão de esperar...
E os corpos se tocariam...
Há tanta nostalgia num abraço sincero
e todos os amores que conquistamos.
Entregues ao sentimento mais belo,
a cumplicidade.
Por onde é que voce anda?
Se fores um pedaço de mim...
Já ta me fazendo falta.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

epifanias.

Algo parecido com o que vivenciamos a cada dia,
seria um ótimo começo a sua espera,
ou a espera se vem por essa esfera de ideais quando deixamos de dormir pra não sonhar...
E mesmo o outro vindo,
pode ser que o momento não fosse o propício,
devemos pensar que o menino pode ter vindo tarde demais reclamar suas perdas.
E uma nova porta se abre.
A bagagem é essa,
a que temos para sonhar,
somos parte daquilo que temos em mãos,
outra parte,
daquilo que ouvimos com o coração.
Não há dores mais perdidas
e debafafos mais que desalentos quando deixamos os sonhos para trás,
enquanto uma ferida aberta, estática de si mesmo.
Se soubessemos que nos aconteceria a cada passo dado,
que surpresa teriamos de viver,
qual seria a graça latente se não houvesse desordem,
nunca nos contentariamos com o objeto não encontrado,
na verdade não haveria o que ser encontrado, entendido e deposto se não houvesse perdas.
Só quando entendemos um pouco da gente,
quando aprendemos a olhar no "espelho-alma",
é que podemos compreender o outro - enquanto um acrescimo de si mesmo.
Dificil sonhar quando a felicidade está presa no sorriso do outro.
Lágrimas sempre vão correr.
O fato é que os arrependimentos vem de forma tardia,
quando não se tem mais coragem de seguir adiante,
por mais que as lágrimas refletissem a maior de suas dores,
me pediu perdão, quase que de forma a suspirar,
me pediu um abraço, como a quem deixa um grande amor,
beijou levemente minha face,
virou-se de costas sem olhar pra tras,
levando consigo a angustia de toda uma vida.

domingo, 24 de agosto de 2008

sonhos ruins

Grande parte dos problemas está na criatividade. Personificação e vivenciamento em cima de sonhos, quando acordamos e percebemos o vazio latente é que as coisas se perdem. As pessoas e as coisas nem sempre ocupam o mérito de seus lugares, só se dão esse respeito quando o desafeto ocupa os desfeches, vivemos através de nossas brechas, recriando fantasmas que nos fazem perder o sono pra deixar de sonhar - esses que nos deixam estáticos. Esperar do outro não é a melhor forma de nostalgia. Melhor é seguir em frente, mesmo não sabendo pra que lado ir, contando com as pedras e bifurcações no caminho e o desespero à parte. O escuro invade o obvio e o medo se espalha dentro do som do vento, que refletem nas batidas entre as janelas esquecidas das emoções.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

a estrela.

hmmm
pois é?
Se foi samba eu não sei.
Suficiente pra sintonia virar melodia e fazer valer.
Por tantas vezes procurando o que antes se esquecia.
Olhar pra frente...e seguia.
Agora é diferente.
Tudo novo de novo.
Bota a cara na cara.
E diz-se o que quer.
Por assim ser,
pois é.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

o antes.

Cansei de sofrer, e nunca conseguir dizer aquilo que me sufoca,
mudanças estariam sendo o meu contexto, minha fuga,
para não me abrir nesse profundo e sentido amor,
se estou seco, porque tomas a me molhar?
Não consigo desabafar o quanto preciso, somente me afogo em lágrimas,
que o papel ousa-me de recolher,
porque essa angústia esse,
prazer pelo doloso e o conhecimento por aquilo que sempre odiara,
será que era o amor que acabara de me manchar,
a destilar meu futuro,
rasgar diplomas e entregar-me serpentes repentes daquela imensa vontade de refúgio,
trancar-me então, jamais ousar dizer que quero ficar, quero ir,
é isso que tem de ser e nada mais vai mudar, afinal,
há decisões que são para o bem, que doem,
mas esse naufrágio de angústia vai nos atormentar até que mudamos de idéia,
minha decisão já foi feita,
seria covarde se parasse ou que me julgarias forte,
se desistisse daquele momento crucial, da derrota, ou a plena vitória.
Senti - me vitorioso, por tentar ao menos.
Controlar meus atos, antes deixado levar pela emoção,
constrangimento, ou por um simples erro,
o destino que acabará de me por a primeira dificuldade,
o medo do desconhecido,
medo das franquezas que sempre vão me prender nesse abismo inferno,
pelo qual eu mesmo me enfiei.
Basta.

domingo, 27 de julho de 2008

balada.

Agora não mais espero o telefone tocar.
Ele têm tocado menos do que antes,
Mas agora, com bons fluidos e propostas de ver estrelas.
Ora aceito, em outras consigo me prender.
Sob efeito dos medicamentos o corpo muda,
a intensidade da música se alterna,
e o jogo de luz se torna mais sutil.
Sempre olhando pra frente, sentindo, sendo.
Os beijos esperados sempre ocorrem e se perdem,
O inesperado inspira surpresa.
Não há dor nem maltrato,
Porque não existe.
Agora o abstrato é que se faz presente.
Grandes coisas pequenas que me fazem sorrir.
Sobe, dança pra se soltar...
Parte do que me dei conta,
e do que sou...
E isso se transborda cada vez mais quando está tudo limpo.
Céu claro na noite escura já não mais assusta.
Quero pouco mais de fumaça,
Isso faz vida,
Se intensifica,
a sonoridade me faz esquecer que existe.
E o brilho é o auge,
Se joga, grita,
Existe vontade, faça.
Palavras sempre vão surgir independentemente.
Eu e eu mesmo agora,
Não é um sonho?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

vamos pra avenida, desfilar a vida.

É estranho esse negócio aí que as pessoas denominam de vida, não acha?
Onde prazer e a dor têm que, andar ali, lado a lado.
Quando você acorda e finalmente decide não pensar em nada tentando fingir uma rotina diferente da que está vivenciando,
depara-se com uma frase que te alerta,
mas a música mais bela insiste em tocar.
Já estou me acostumando com a idéia de mudar a estação,
e partir pra ficção,
de repente deixar um pouco mais de endorfina engajar na corrente sanguínea.
Quando me sinto totalmente desprendido,
simplesmente a tentar responder por um texto que me é prostrado,
de nada adianta tentar fazer perder o sentido voltando à música no começo,
na verdade tentando modificar sua essência,
eterna esperança de não sentir aquilo tudo.
Agora, sentar e esperar que uma nova música comece também a fazer sentido,
que o reflexo dos olhos no espelho me mostre brilho – e transpareça.
Quanto à covardia, acho que seria sentir a dor,
com tantas outras formas de driblar isso.
Sei lá, um ponto de vista, embaçado. Mas só um ponto de vista.
E quem é que disse que os pontos têm de ser necessariamente nítidos.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

o agora

eu gosto assim.
de ter a cara de inocente.
alguns aproveitam, ou aproveitaram...
gosto de sorrir ao vivo.
fotos retratam o que queremos mostrar.
quase sempre são maquiadas.
chega de photoshop na minha vida.
não to procurando nada não heim.
sabe aquela teoria onde primeiro a gente,
to despertando isso agora em mim...
a descoberta dos próprios olhos,entende?!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

ao acaso.

Como seria se o sol brilhasse apenas quando eu sentisse frio.
E o copo de água estivesse ao alcance sempre que a sede ostentasse em se fazer presente.
Seriam como viver grandes amores em poucas horas,
Regadas às mãos e suor que passam num desatino profundo por nosso corpo.
Perdidos entre a fumaça e a música alta, que invade o horizonte paralelo.
Foi a primeira vez, e passou.
No dia seguinte, sem pensar em nada, tudo corre, e por ai vai.
O re-encontro, a luz, dessa vez, pouco mais confusa,
O som pouco mais baixo, e os olhos se cruzam.
Por debaixo dos olhares atentos, o abraço mais forte regado, dessa vez de surpresa.
Tudo certo: momento, bebida, amigos e você.
No outro dia, acordo me perguntando por que seria assim...
E o telefone toca,
A voz cada vez mais doce, tentando invadir uma essência, só pra ser.
È algo surpreendente que vem e vai...
Como se fosse um kamikaze de tudo o que vivemos,
Trazendo de volta a horas – movida por uma eternidade que é só nossa.
Pra ficar, guardadinho aqui, dentro do peito...
Exalando saudade.
Dentro do abraço de adeus que não poderá ser dado.
Lembrarei de ti a cada copo de água que insistir em não beber.
E a cada flash te luz que se prender em minha retina,
E finalmente a cada angústia que passarei sem dor,
Afinal, foi forte, intenso, denso e feliz.
A partida é quem traz a tristeza, a dor e a saudade...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

príncipe encantado.

Aprendi também que nada do que eu escrever aqui,
vão passar de palavras,
e que a amizade, conquista, afeto, tudo isso vem por meio de ações.
Muito fácil maquiar qualquer tipo de relacionamento.
Perde-se a essencia.
Onde deixamos tudo de lado pra viver o vazio, e a culpa é do outro.
O mais importante é ser real, viver, lutar, e ter um ombro pra chorar,
por mais que passem anos, sei também que a angústia vivida vai ser fonte mais real,
vai estar alí nos apontando, fazendo falta, sendo a forte diferença.
É como se apaixonar pelo príncipe encantado de um conto de fadas,
e descobrir no final que não passava de um maquinista.
Que tudo não se passava de um 'encanto'
Ser real é o novo jogo.
O que deve ser jogado.
E se é assim que quero ser.
Assim serei.
Porque quando voce menos se preocupa com a imagem é que se faz o diferencial.
Bota aquela calça jeans surrada e a camiseta preta mais básica,
surta, vai e causa.
As pessoas percebem a essencia com o natural,
o resto garante apenas a primeira olhada.

domingo, 6 de julho de 2008

oi fulano.

Depois de um mês desligado, pode ser o medo de aparecer, sei lá, medo de ser, medo de atender, ouvir a voz, e as coisas perderem o sentido de uma forma ou de outra, e as coisas depois de ser, nunca voltam a como eram antes.
Cansei dos pronomes relativos, que também me fazem recordar você, na verdade todos os sentidos estão latentes quando te olho nos olhos, e por sua vez nostalgia.
Toca, atendo, o medo percorre a espinha, um suspiro aliviado toma conta, todas as formas de amor vêm e vão por meio de segundos, e o frio na espinha, permanece inalterado, frio, gelado e calculado.
A procura pelo outro, talvez não tão outro, de repente a verdade sobre o engano, ou simplesmente pra testar até onde vai o poder desse encantamento.
O complexo disso tudo é fato de ainda fazer todo o sentido, e lembrar que as fotos ficaram naquela nossa caixinha, que agora ta jogada num quarto extenso e frio, esperando o calor dos corpos se tocarem. E isso pode nunca mais acontecer, o fato é que ainda meche comigo, e como.
Sinto frio, desespero, saudade, e muito medo, mas ainda não consigo definir o que me traz o todo esse horizonte paralelo, e pensar que aquele sorriso de lado, faria com que o dia brilhasse ao menos pela manhã.
E aqui, onde coloco os retratos carregados de sentimentos, além da gaveta empoeirada pelo tempo que insisto em abrir.
A tarde mais gostosa com o filme, que na verdade nem fez tanto sentido assim.
De repente é transferir toda essa essência do tempo, onde pra todos os cantos que olho encontro você.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

mariana

Não basta parecer real, tem que ser gente.
Aprendo a morrer a cada manhã com o soar do desesperador,
e isso me transforma em monstro do meu próprio dia,
quando maldigo cada manhã que não foi da maneira, a qual desejei,
e quando cai a chave, é uma porta que deixo de abrir.
Por mais que eu tenha aprendido,
que sorrir pode salvar os meus próximos dez minutos,
não ando o fazendo, afinal, as mudanças devem acontecer com o tempo.
Tudo questão de relatividade.
Espera a música acabar,
ou muda ela,
uma hora vai aprender que não se deve deixar o que não quer ouvir ao alcance.
Basta, quero seguir rumo próprio.
Quebrar louças velhas,
e tirar o pó seco de dentro dos armários embutidos da minha personalidade.
Quero gritar, beijar na boca e escrever poemas, pra aliviar a alma, se é que isso vai realmente me fazer bem. Vou tentar, se não surtir efeito, que um ciclo novo recomece. Afinal, cair e levantar faz parte, e as feridas mostram que estou vivo.

terça-feira, 24 de junho de 2008

o pernilongo

é fim de dia,
mas não é domingo,
e tudo permanece da mesma forma,
só aquele vazio trazido pela rotina que permanece,
quando já se concluiu metades das provas,
e sabe-se que ainda tem a outra metade pra ser alcançada,
e a forte rotina não ajuda nem um pouco,
enquanto as meias e as cuecas secam no varal,
com cheiro de amaciante, e por fim, macias...
lavadas e limpas para que um novo ciclo recomece
agora, faltam menos de duas semanas para essa liberdade
e o que fazer com ela,
medo de entrar em desespero,
vontade de ligar,
e não ligo,
e os sentimentos batem de frente com a realidade,
quando se joga de lado as fotos dos murais caídos,
pra poder deitar,
e a bagunça a parte que ta, de certa forma,
me incomodando,
deve ser o ciclo vicioso tentando me mostrar como anda minha vida,
e te deixar de pernas pro ar, não ajuda em nada...
é bem mais profundo quando não se sabe mais o que fazer,
olha pra matéria toda que precisa ser lida,
e é deixada de lado,
hoje a aula mais chata acabou mais cedo,
mas cheguei em casa mais tarde que o de costume,
malditas serão sempre as terças feiras a partir de agora,
porque me fazem lembrar você,
e o lençol sujo que insisto em não trocar,
mesmo estando sujo, de certa forma ainda sinto o seu cheiro,
mas sei lá, de repente,
só uma pausa pra esse ciclo vicioso recomeçar,
se o lençol sair da cama,
vai precisar de um novo destino,
ai teria que me desprender de algum tempo,
até decidir o que fazer com ele...
por isso, o lençol amarelo e furado,
permanece no mesmo lugar,
talvez um pouco mais pra direita que pra outro lado,
pelos amassos do corpo pesado e cansado pela madrugada a dentro.
Quase cai, agorinha mesmo,
quando resolvi impedir que os pernilongos entrassem pela janela,
não importa que o dia está frio, eles insistem.
Por mais gelado que aqui parece,
Pra eles deve estar quentinho,
Ou eles querem meu sangue, e meu sangue, pra eles eu não dou.
Pelo menos não agora, depois, quem sabe.
Voltando ao quase tombo,
Pelo cesto de roupas sujas, imundas, outras nem tão sujas,
Que insistem em permanecer por aqui,
Mas sei lá,
Se tirar daqui, boto onde...
Não me agrido mais com isso,
O importante agora,
É que depois de lavar todas aquelas incontáveis meias,
Juro que tentei,
Mas elas foram mais rápidos que eu,
E por fim, não dei conta,
Mas aqui estou,
Reclamando de uma falsa fome
De uma tediosa bagunça,
E nada faço!
Tudo permanece estático.
E o telefone ainda não tocou...
Mas sei lá,
Conversamos pela tarde,
Porque a necessidade da noite...
Ninguém merece essa espera,
Se tivesse um carro a álcool,
Já teria te buscado pra me fazer companhia,
Mas olha, um carro a álcool heim...
Outro não vale.